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menina dos abraços

menina dos abraços

A verdade (do abraço) do coração.

Talvez o coração tenha sido feito para abraçar.

E talvez, quando abraça, seja sempre para sempre.

Talvez seja esse abraço aquilo que fica, mesmo quando se voa.

E talvez, mesmo quando se voa, seja esse abraço a forma mais bonita de ficar.

A forma mais bonita de amar.

Talvez, mesmo quando se voa, seja esse abraço o nosso lugar.

E talvez seja esse o nosso lugar para sempre, mesmo quando temos de voar.

Para ti. Talvez...

Talvez o encontres noutros braços, talvez o apertes noutro abraço.

Talvez o encontres noutras mãos, talvez o abraces noutro toque.

Talvez o encontres noutros olhos, talvez o vejas noutro olhar.

Talvez o encontres noutros risos, talvez o sintas noutro sorriso.

Talvez o encontres noutros regaços, talvez o guardes noutro colo.

Talvez o encontres noutras palavras, talvez o escutes noutra fala.

Talvez o encontres noutras lágrimas, talvez o toques noutro sentir.

Talvez o encontres noutros gestos, talvez o tatues noutra vida.

Talvez o encontres noutras almas, talvez o ames noutro coração.

Aqui... (quase sem querer) parece que voou.

Talvez... 

Se aqui voou, talvez voe para sempre.

Ou então, talvez um dia volte a pousar e te encontre a ti.

Talvez...

as coisas que tu não sabes.

Aproximas-te de mim devagar, como quem tem medo que eu possa fugir, e abraças-me a alma na esperança de me entrares no coração. Admiro a tua forma ingénua de sentires que me tens e me conheces inteira. Mas o que tu não sabes é que, mesmo que a minha alma se deixe abraçar por ti e o meu coração te deixe entrar, há coisas minhas que tu não conheces. Há coisas que tu não sabes. Não sabes que antes de ti já alguém me abraçou a alma, morou no meu coração e me roubou pedaços dele. Não sabes que eu nunca recuperei esses pedaços e que nunca os vou recuperar. Não sabes que as cicatrizes do coração, mesmo que saradas, são as mais fundas que podes ter e são para sempre. Não sabes que, depois destes anos todos, eu nunca voltei a sentir alguém assim. Não sabes que, depois destes anos todos, eu nunca voltei a deixar alguém entrar e ocupar esse lugar na minha vida e no meu coração. Não sabes que, mesmo que a minha alma se deixe abraçar por ti e o meu coração te deixe entrar, eu ainda posso fugir de ti.

 

(Desafio "Escrever uma carta àquele(a) que te ama, ou àquele(a) que te vai amar."

Desafio: BlueS.o.l., Clarameisiza, Just_Smile)

"A margem de um corpo de água"

Os teus olhos. Se houve margem que me resgatou contra todas as forças do mundo, de todos os mundos, foram os teus olhos. A margem mais funda que eu já conheci. E, no entanto, eu não tive medo. Naquela altura eu ainda não tinha medo, sabes? Eu sabia que, sempre que deixasse resgatar-me pela corrente do teu mar, tinha os teus braços a ancorar-me. Eu só não sabia que, ao ancorar-me, estava a afundar-me também. Num mar que afinal não era meu. Na margem que ficou com os meus pedaços desancorados quando eu remei para o lado de cá. Há margens assim. Resgatam-te tanto. E afundam-te tanto. São as únicas margens que sabem ancorar-te para sempre, na alma e na pele (e, quase sem saberes, no coração), a cor, o sabor, o som, o cheiro, o toque, do seu mar. Os teus olhos. Os teus olhos.

 

(resposta ao desafio da Blue)