Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

menina dos abraços

Um abraço: o meu lugar.

menina dos abraços

Um abraço: o meu lugar.

Sorrisos salva-vidas.

Há dias que precisam de milagres. Que precisam de abraços salva-vidas. Há sempre dias assim, sabes? E depois sais à rua. Atravessas a estrada, apressada e absorvida pelo peso dos dias, e soa uma buzina, ao de leve. Como quem te chama, sem querer assustar-te. Olhas para trás. Um rosto (des)conhecido. Conhece-te apenas dos caminhos comuns que vos fazem cruzar por aí. Sem se saber nomes, sem se conhecer histórias. Não importa. Oferece-te um sorriso, por entre a janela do carro, embrulhado no desejo de um bom dia. Páras. É tão importante parar para um sorriso. Sorris de volta. Segues o teu caminho, de coração mais abraçado. Há abraços que chegam em forma de sorriso. Há sorrisos que chegam para te salvar o dia. Para te salvar do dia.

Há sorrisos que salvam dias (e vidas).

Metro de Lisboa. Chego, no meio das pessoas que passam, apressadas, de olhos fixos no chão, no vazio. Olho à minha volta. Há pessoas que conversam. Outras, sozinhas, apenas esperam. À minha frente, alguém, de costas para mim, vai limpando a cara. Há lágrimas que teimam em aparecer sem escolher o local. Sozinha, enquanto espera (ou desespera), vai limpando as lágrimas que teimam em cair. O metro chega. Entramos. Silêncio. Pessoas que quase não se olham. Não se vêem. Não escutam o pedido de um abraço dos corações que, muitas vezes, têm ao seu lado. A viagem chega ao fim. Ela aproxima-se de mim para sair. Saímos as duas e, enquanto saímos, eu estendo-lhe um post-it. Ela hesita, durante um segundo, e aceita-o. "O teu sorriso é a melhor parte do dia de alguém", lê. Ela solta um ligeiro sorriso. Eu sigo o meu caminho, de coração abraçado. Às vezes, um ligeiro sorriso de um coração que dói, salva o nosso dia.

 

 

Tatuar sorrisos no dia de alguém, na vida de alguém, no coração de alguém.

Porquê? Porque (o amor) cura.

Sabes quando dois corações se reconhecem?

Caminho até à porta e, a cada passo, o compasso do meu coração acelera. Fortifica-se. Sabes quando caminhas para o abraço esperado? Aproximo-me da porta e vejo-a. Aquela que me tatuou sorrisos no coração nos meus primeiros passos. Nos primeiros de todos. Aquela que me tatuou o coração. Porque o leu, desde a primeira vez. E me pegou (e ao meu coração) ao colo tantas vezes. E me ajudou a desenhá-lo bonito. Para depois ele poder continuar a desenhar-se no resto dos meus passos. Quem nos sabe assim, desde a primeira vez, sabe-nos para sempre. Porque nos sabe o coração. Vejo-a. E é aqui que deixo de conseguir ver o que quer que seja, para além daqueles olhos. Para além daquele sorriso que me está tatuado no coração há 18 anos. Não existe mais nada agora. Agora o mundo resume-se a este momento imortal. Quando aqueles olhos me encontram, reconhecem-me, sabem-me. Sabes quando dois corações se reconhecem? As lágrimas aparecem, porque a explosão do que se sente não nos cabe dentro do peito. Os nossos braços (e os nossos corações) abrem-se e este é o abraço que conta uma das histórias mais bonitas do mundo. É o abraço que funde as saudades de 16 anos, um amor de 18 anos. É o abraço que, há 18 anos, foi colo. E que agora, 18 anos depois, sabe tanto a colo também. Abraço-a como quem regressa a casa. Porque casa é sempre onde o coração está. Abraça-me tão forte. Sabes quando abraças as tuas pessoas e sentes que podes morar (e que cabes) nesses abraços para sempre? Abraça-me tão forte. Não nos largamos mais. As nossas mãos procuram-se, encontram-se, tocam-se, dão-se. (re)Encontram o laço forte que, no fundo, nunca se desenlaçou. Que nem mil anos nem mil distâncias conseguem desenlaçar. Sabes quando as mãos se abraçam e nunca mais se largam? É aqui que percebo que há mais pessoas à nossa volta. Sorriem, connosco. Como quem se deixa encantar e inundar com a beleza desta história. Como quem vê o abraço que uniu os nossos corações há 18 anos e que nos trouxe de volta uma à outra. Como quem sente o amor que está dentro dos nossos olhos, do nosso abraço forte, das nossas mãos que não se largam. Um amor que conta uma das histórias mais bonitas do mundo. - Minha querida. - Diz-me, enquanto me abraça tão forte. - Cuida de ti, está bem? - Digo-lhe, enquanto o meu coração segreda ao seu um gosto tanto de ti. Um pedacinho do meu coração ficou naqueles olhos, naquele abraço, naquelas mãos. O resto vem comigo, a sorrir. São estes os momentos mais felizes da nossa vida. Os momentos que se imortalizam, porque nos enchem e nos abraçam e nos cativam o coração para sempre.

não tenhas medo, a vida só quer que tu sejas feliz

Faço a minha viagem de autocarro, o lugar ao meu lado está vazio. Até agora. Ela entra no autocarro, apressada. Provavelmente uns anos mais velha do que eu, mas não muitos. Olho-lhe para os olhos verdes, mas vermelhos das lágrimas que já caíram, das que ainda estão à vista e das que ainda estão por cair, a qualquer momento. Procura um lugar para se sentar, apressada. Quando, provavelmente, a única coisa que procura é um lugar que a abrace. Que a abrigue. Onde não tenha que estar no meio destas pessoas todas. Onde não tenha outros olhos a olhar-lhe para os olhos verdes, mas vermelhos das lágrimas que já caíram, das que ainda estão à vista e das que ainda estão por cair, a qualquer momento. Onde não tenha que procurar um lugar para se sentar, apressada. Senta-se ao meu lado. Respira fundo. Respira tão forte. Eu pego no meu bloco de post-its e na minha caneta. Está quase a chegar a minha paragem. Os lugares do outro lado do corredor ficam vazios e ela levanta-se e vai para lá, prefere ficar sozinha. Senta-se e baixa a cabeça, apoia-a nas mãos, no colo. Continua a respirar tão forte. Chega a minha paragem. Levanto-me, fico ao lado dela por instantes. Hesito, mas prefiro arriscar. Toco-lhe no braço, ela olha-me. Sorrio-lhe e dou-lhe o post-it. Ela recebe-o. Não dizemos nada. Eu vou até à porta. "Não tenhas medo, a vida só quer que tu sejas feliz", diz-lhe o post-it, com um sorriso e com letra apressada. No instante em que saio, olho para ela. Ela já está a olhar-me. Sorrio-lhe, ela sorri-me. Não dizemos nada. Nem precisamos dizer. Eu saio. Um pedacinho do meu coração está naquele post-it. O resto vem comigo, mais cheio.

Momentos imortais.

Metro, Cidade Universitária.

Sento-me enquanto espero e olho e observo à volta, como sempre.

Passos pequeninos e cansados, talvez perto dos 80 anos. Olha-me, sem abrandar aqueles passos pequeninos e cansados, aproxima-se de mim, meio confusa, mas já a sorrir-me. Pergunta-me se está no sentido certo. - É que sabe, menina, lá fora, na rua, é mais fácil. Aqui dentro é confuso. Tem muitas linhas e muitas pessoas cheias de pressa. - São muitas mais as pessoas do que as linhas, penso. Sorrio-lhe. - Sim, está no sentido certo. Pode entrar comigo e sai já na estação seguinte.

Espera junto de mim, em silêncio. Mas continua com o sorriso doce, que me abraça sempre que o olho para fugir à pressa das pessoas que nos rodeiam. O metro chega. Levanta-se, olha-me de novo e, sem abrandar aqueles passos pequeninos e cansados, aproxima-se de mim e continua a sorrir-me.

- A menina dá-me a mãozinha para eu entrar consigo? É que sabe, menina, as pernas já não me obedecem como antes.

Sorrio-lhe. Dou-lhe a mão e caminhamos as duas em direcção ao metro. Enquanto caminhamos, aperta-me a mão. Tanto. Treme, mas aperta-ma forte. Como se toda a segurança que precisa para aqueles passos pequeninos e cansados estivesse ali, na mão que aperta tanto. Passos pequeninos e cansados, mas eu não tenho pressa. É que a pressa sufoca corações.

Entramos no metro e eu sugiro que se sente. Não quer. O tempo de viagem é curto, vai sair já na estação seguinte e custa-lhe mais sentar-se e ter que levantar-se de novo. - É que sabe, menina, as pernas já não me obedecem como antes. - Não me larga a mão. Faz aqueles minutos de viagem junto de mim, a apertar-me a mão. Sempre sem a largar. E, enquanto a sua mão aperta a minha, eu tenho tanto. Não preciso de muito mais.

Campo Grande, chegamos ao seu destino. Olha-me de novo a sorrir-me, ainda a apertar-me a mão.

- Obrigada, menina. Deus a abençoe. Que tenha sempre muito amor toda a vida.

Poderia haver alguma coisa melhor para se desejar a alguém? Sorrio-lhe. Enquanto ela sai, devagarinho, aperto-lhe, em resposta, a mão que treme e que ainda aperta tanto a minha. Olha-me de novo a sorrir-me e larga-me a mão apenas quando já está do lado de fora.

- Obrigada eu. - digo.

Segue o seu caminho de passos pequeninos e cansados, as pernas já não lhe obedecem como antes. E eu sigo o meu caminho e sinto que aqueles passos pequeninos e cansados e aquele sorriso doce me trouxeram o sol hoje. E que aquela mão, que apertou tanto a minha, me abraçou para fugir à pressa das pessoas que nos rodeiam. É que a pressa sufoca corações.

momentos imortais

São os olhos. São sempre aqueles olhos que se abrem tanto, gigantes, para olhar tanto dentro dos meus sempre que me vêem. São as mãos. São sempre aquelas mãos que apertam tanto as minhas dentro, forte. São as palavras. São, quando ditas, aquelas palavras, soltas em breves instantes, quase sumidas, ao meu ouvido - Senhora doutora. - Sorrio em resposta - Tens amor dentro dos teus olhos- Em breves instantes, enquanto aqueles olhos se abrem tanto, gigantes, para olhar tanto dentro dos meus e aquelas mãos, sempre aquelas mãos de doçura de mais de 80 anos, apertam tanto as minhas dentro, forte.