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menina dos abraços

Um abraço: o meu lugar.

menina dos abraços

Um abraço: o meu lugar.

Um caso sério

No meio de todos os casos sérios do mundo, no meio de todos os casos sérios que nos mostram e nos ensinam todos os dias, o verdadeiro caso sério, deixa-me dizer-te, é um milagre que te acontece por dentro. O verdadeiro caso sério acontece-te com a força estrondosa (e, ao mesmo tempo, quase despercebida) que só o amor consegue. No meio de todos os casos sérios do mundo, o verdadeiro caso sério acontece-te quando há um abraço que chega para te abrigar para sempre. Um abraço que te chega quando mais nada chega é um caso sério. No meio de todos os casos sérios do mundo, o verdadeiro caso sério acontece-te quando há uma mão que chega para te segurar e te abraçar tanto. Uma mão que te chega quando mais nada chega é um caso sério. No meio de todos os casos sérios do mundo, o verdadeiro caso sério acontece-te quando há um olhar que chega para ler tudo o que és. Um olhar que te chega quando mais nada chega é um caso sério. No meio de todos os casos sérios do mundo, o verdadeiro caso sério acontece-te quando há um sorriso que chega para melhorar o teu dia. E o teu coração. Um sorriso que te chega quando mais nada chega é um caso sério. No meio de todos os casos sérios do mundo, o verdadeiro caso sério acontece-te quando há um beijo que chega para curar todos os pedacinhos que te doem. Um beijo que te chega quando mais nada chega é um caso sério. No meio de todos os casos sérios do mundo, o verdadeiro caso sério acontece-te quando há alguém que chega para te ser um lugar de amor, para te ser casa. Alguém que te chega quando mais nada chega é um caso sério. No meio de todos os casos sérios do mundo, o verdadeiro caso sério acontece-te quando o amor chega para tornar todos os casos sérios do mundo menos sérios. O amor que te chega quando mais nada chega é um caso sério. É o teu caso sério. Um milagre que te acontece por dentro. No meio de todos os casos sérios do mundo, no meio de todos os casos sérios que nos mostram e nos ensinam todos os dias, o verdadeiro caso sério, deixa-me dizer-te, é (só) o amor.

Quem consegue (realmente) ver-te?

Há sempre alguém que te vê. Que realmente te vê. Não há volta a dar. Há sempre alguém que te descobre por dentro. Que te descobre por detrás das barreiras que vais construindo, mesmo sem saberes. Que te descobre por detrás de tudo o que o mundo vê em ti e, principalmente, por detrás do que ninguém vê: por detrás dos teus medos, dos teus fantasmas, das tuas dores e das tuas cicatrizes. Há sempre alguém que te vê. Que realmente te vê. Não há volta a dar. Há sempre alguém que te baixa a guarda, te abre a porta e se convida a entrar. Mesmo sem saberes. Mesmo sem quereres. Mesmo que fujas. Há sempre alguém que te ultrapassa e te descobre por dentro. Que te atravessa a alma e encontra o que és. Há sempre alguém que te vê. Que realmente te vê. Não há volta a dar. Há sempre alguém que te sorri como quem te (pres)sente, que te dá a mão como quem te resgata, que te abraça como quem te salva e que te olha, por dentro, e te vê. Que realmente te vê. Não há volta a dar. Sabes? Por detrás de tudo o que o mundo vê em ti e, principalmente, por detrás do que ninguém vê, venha quem vier, as tuas pessoas são sempre as que conseguem ver-te. Realmente ver-te. Sem haver volta a dar.

Cartas de amor, à afilhada Mariana.

Querida Mariana,

Tu ainda não sabes, mas a tua vida salva vidas. Segura corações. Vieste salvar-nos um bocadinho, mesmo sem saberes. Mesmo sem nós sabermos, também. O milagre da tua vida, da tua vinda, tornou mais doce o mundo que, durante este ano, se fez sentir um bocadinho mais escuro e pesado. Tu ainda não sabes, mas eu vou dizer-te: tornaste o mundo melhor, só porque nasceste. Também ainda não sabes, mas um dia vais saber, que tornar o mundo melhor para alguém é a coisa mais bonita do mundo. É a coisa mais importante do mundo. Os teus Papás escolheram-me para ser tua Madrinha. Vou contar-te um segredo: às vezes, quando penso em ti, em cuidar de ti, tenho medo de não saber sempre fazer bem tudo o que tu precisas. E depois, outras vezes, tu ris-te só porque eu olhei para ti, e abraças-me o coração (e fazes-me sentir a melhor palhacinha do mundo, também). Não tenho muito para te dar, mas prometo tentar ser-te sempre um lugar de amor. Tu ainda não sabes, mas a tua vida salva vidas. Segura corações. O milagre da tua vida, da tua vinda, tornou mais doce o nosso mundo. O meu e o das tuas pessoas. Que são as minhas também. Vou contar-te um segredo: só por as salvares a elas todos os dias, já me salvas tanto a mim também. Mesmo sem saberes. Ou, se calhar, até sabes.

 

Com amor,

da tia-madrinha-dinda, Daniela.

O que de verdade importa

Há sempre um abraço que te abraça como uma casa segura. Há sempre uma mão que nasceu para se encaixar na tua. Há sempre um olhar que consegue ver o teu coração. Há sempre um sorriso que te toca a alma e te dá a mão. Há sempre um beijo que cura tudo o que te possa doer. Há sempre um coração que, mesmo em silêncio, tu sentes bater. Há sempre um sonho, com toda a força, para acreditar. Há sempre uma música e um momento para partilhar. Tens sempre alguém que precisa tanto do teu sorriso. Tens sempre alguém de abraço aberto quando for preciso. Tens sempre alguém que vê um milagre quando olha para ti. E tens-me a mim, que vou para sempre amar-te a ti. Escuta bem este segredo, sorri e abraça bem forte, dá-me a tua mão. Na vida só o amor importa e o segredo é este: só se vê bem com o coração.

 

Para a minha sobrinha Mariana.

E para os pais. E para mim. E para ti. Para todos. Para nunca esquecer (e para lembrar sempre) o que de verdade importa.

Com amor,

Daniela.

hoje a minha irmã faz anos.

Hoje a minha irmã faz anos. A minha irmã é a minha primeira amiga-para-sempre. É a amiga da vida que a vida escolheu para mim. É a amiga do coração que já me esperava, quando eu nasci. E, por mais voltas que o mundo dê, por mais pessoas que nos apareçam no caminho, no final, o nosso lugar é sempre juntas. No lado mais bonito que existe: o lado de dentro. A minha irmã é a pessoa de quem eu gosto todos os dias, como se fosse a primeira vez. Mesmo que o mundo às vezes estremeça, há uma coisa que nunca muda e que é mais forte do que o mundo, do que a vida: vamos ser sempre uma da outra. E uma para a outra. A minha irmã é um pedacinho de mim, da minha alma e do meu coração, dentro e fora de mim, ao mesmo tempo. E é isto, aquilo a que chamam de amor. Hoje a minha irmã faz anos. E o (nosso) mundo está de parabéns.

hoje o meu pai faz anos.

Hoje o meu pai faz anos. Fecho os olhos, calo os ruídos do mundo (lá fora e cá dentro), e digo-lhe, em silêncio, parabéns. E sei que ele ouve. Sei que ele me ouve, nos ouve, sempre que dizemos e mesmo quando não dizemos. Porque há coisas que as palavras não sabem dizer. E, quando se mora dentro de alguém, sabe-se. Sabe-se e pronto. Sei que ele está aqui, mesmo que não esteja há quase 20 anos. Está na mãe que cuida de nós, pelos dois e por mil. Está nos pedacinhos dele que temos herdados no corpo e na alma. Está quando os milagres nos acontecem, e que de certeza têm a mão dele. Está quando o medo nos assalta e pedimos tanto o seu colo também. Está nas pessoas que têm no coração o seu sangue e as suas histórias que contam tanto dele. Está sempre que olhamos para o céu e uma estrela brilha mais forte. Está sempre que fechamos os olhos e suspiramos com a força de um abraço. Hoje o meu pai faz anos. E eu fecho os olhos e digo-lhe, em silêncio, parabéns. E sei que ele ouve. Porque amor é amor sempre. E, quando se ama, nem a morte consegue separar.

as tuas pessoas.

Pessoas que te vêem por dentro do que és. Pessoas que te abraçam (a alma e o coração). Pessoas que fazem do (teu e seu) coração casa. Pessoas que são pedacinhos de sol, quando a tempestade teima em não passar. Pessoas que são pedacinhos de abrigo, quando o medo te assalta. Pessoas que são pedacinhos de amor, quando só o amor cura tudo. Pessoas que te vêem de forma exageradamente bonita, só para te fazer sorrir mais uma e outra vez. Pessoas que te tatuam sorrisos no coração. Pessoas que, estando longe, se fazem sempre perto. O mais perto que se pode estar de alguém: do lado de dentro. Pessoas que te dão a mão como quem te dá o coração. Pessoas que te ouvem as palavras, os gestos e os silêncios. Pessoas que te sentem e pressentem. Pessoas que são sorrisos em forma de abraços e abraços em forma de sorrisos. Pessoas que são tanto. Pessoas que são pedacinhos de ti, da tua alma e do teu coração, fora do teu corpo. São essas, as tuas pessoas. As pessoas de quem tu és. Tanto e sempre.

hoje (e sempre) é o dia da minha mãe.

A minha mãe é a minha pessoa. A minha mãe é a minha definição de amor. A minha mãe... é o amor mais amor do mundo. De todos os mundos. A minha mãe é a minha maior fraqueza e a minha maior força. A minha mãe é mãe e pai. A minha mãe é a força estrondosa do amor maior que o mundo, maior que a vida. A minha mãe é o abraço que se faz sempre morada. A minha mãe é o sorriso que embeleza o dia, a vida, o mundo. A minha mãe é o olhar que transborda doçura e verdade. A minha mãe é a mão que toca dentro da alma. A minha mãe é a voz que sossega o mundo. A minha mãe é o silêncio que escuta e sente o coração. A minha mãe é o colo que abriga e se faz sempre (e outra vez) morada. A minha mãe é a presença que cura todas as dores, medos e cansaços. A minha mãe é a simplicidade que ensina o segredo da vida. A minha mãe é o coração que bate dentro e fora de mim, ao mesmo tempo. A minha mãe é tanto e ainda mais. A minha mãe é a (minha) cura de todas as curas. É o (meu) amor de todos os amores.

se a saudade chegasse pelo ar, como as ondas da rádio, em que lembrança sintonizarias a tua memória?

Sintonizaria-a naquele amor que só conseguiu fazer-se presença física durante parte da minha infância. Sintonizaria-a todo o tempo suficiente para poder saborear-lhe tudo o que ficou por saborear, como se não houvesse amanhã. Para poder saborear-lhe, já com coração de menina crescida, todos os abraços que havia para abraçar. Todos os risos que havia para rir (porque era um amor cheio, sobretudo, de riso). Todos os colos que havia para caber. Todos os passeios de mãos dadas que havia para apanhar flores. Todos os olhares e gestos e entregas das flores que apanhámos para a sua cara-metade (a sua metade que ficou, que se fez inteira e valeu por dois, por mil, por tantos, e que continua a salvar-me todos os dias) que havia para eu observar e saborear. E para desejar, num sorriso cúmplice, um dia ter umas flores entregues e uns olhos a olhar-me com o mesmo amor, quando fosse uma menina crescida.