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menina dos abraços

Um abraço: o meu lugar.

menina dos abraços

Um abraço: o meu lugar.

Elas.

Elas. Foi assim a vida toda, será assim a vida toda: elas. Elas, que já me esperavam quando eu nasci. Não conheci a vida antes delas. E nunca vou saber da vida sem elas. Olho para elas e sei: por mais voltas que o mundo dê e por mais pessoas que nos apareçam no caminho, no final a verdade é sempre esta: somos sempre umas das outras. E umas para as outras. Elas. São elas, quem eu sou.

Nós não nos esquecemos, avó.

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Nós não nos esquecemos, avó. Continuamos aqui, do lado de cá, sem nunca soltar a nossa ponta do laço forte que une os nossos corações. Todos. Nós não nos esquecemos, avó. Estamos bem aqui, do lado de cá da porta dessa casa onde cuidam de si. Cuidam de si, não cuidam?

Nós não nos esquecemos, avó. A avó não sabe, mas tiveram de fechar-nos a porta, só por agora, na tentativa urgente e desesperada de que aí dentro continue a ser um lugar seguro. A avó também não sabe, mas do lado de cá agora moram o perigo e o medo. As pessoas já não se abraçam, avó. Já não há beijinhos sem aviso, as mãos já não se apertam, os sorrisos estão escondidos. Anda um bicho invisível, maior do que nós, por todo o lado. Avó, ele descobriu, antes das pessoas, que a melhor forma de contagiar é através do amor. E agora escondeu-se em todos esses gestos de amor, que antes nos salvavam sem nós sabermos, e privou-nos deles. Avó: é a única coisa que nos salva, não é?

Mas nós não nos esquecemos, avó. A avó não sabe, mas nós continuamos aqui. Do lado de cá, sem nunca soltar a nossa ponta do laço forte que une os nossos corações. Todos. Nós não nos esquecemos, avó. Continuamos aqui, do lado de cá, nesta espera urgente e angustiante, que nos aperta o coração. Estamos bem aqui, do lado de cá da porta dessa casa onde cuidam de si. Cuidam de si, não cuidam?

Mas é só por agora, avó. Um dia o bicho desiste e vai embora. Um dia voltam a abrir-nos a porta, sem o perigo, sem o medo. Um dia voltamos a entrar para apertar as saudades e a urgência que agora nos apertam a nós. E um dia talvez as pessoas descubram que a melhor forma de contagiar é através do amor. E que todos esses gestos de amor sempre nos salvaram sem nós sabermos. Avó: é a única coisa que nos salva, não é?

Somos casas

Somos casas. Construídas e cimentadas pelas nossas histórias. As que vivemos. As que ficam. E as que, mesmo não ficando, ficam marcadas também. Somos casas. Não há casas iguais. Cada casa constrói-se quase sem querer e cimenta-se com o que se vai aprendendo a querer. A escolher. Com o que fica.

Sou casa. Construída pelas minhas histórias. As que vivo. As que ficam. E as que, mesmo não ficando, ficam marcadas também. Tenho marcas que ficam para sempre. Não há volta a dar. Sou casa. Morada pelas minhas pessoas. As minhas. As de quem eu sou. Quase podia dizer que, para além de casa morada, sou casa também construída por elas. E digo: sou. Construíram-me, também. Não seria eu, não sou eu, sem elas. Há "pessoas-eu" para sempre. Não há volta a dar. Sou casa. Cimentada pelo amor. O amor que abraça, que entrelaça mãos, que olha mais fundo, que sorri com o coração. Cada casa constrói-se quase sem querer e cimenta-se com o que se vai aprendendo a querer. A escolher. Com o que fica. Não conheço nada que fique mais e que eu possa escolher e querer mais, do que o amor. Só o amor cimenta para sempre. Não há volta a dar.

Somos casas. Há quem chega, de mansinho, pé ante pé, e acaba por entrar. Há quem entra e não fica. E há quem entra e fica. Na esperança de morar.

Sou casa. A ti, que chegas, de mansinho, pé ante pé, e acabas por entrar, tens de saber: Sou casa. Construída pelas minhas histórias. Morada pelas minhas pessoas. Cimentada pelo amor. Não sou casa vazia, sozinha. Eu não sou só eu. Morar-me é abraçar isto. Abraçar o que sou, com tudo o que sou. Não há volta a dar.

Imagina que o mundo precisava da tua voz para ser tornar um mundo melhor.

Numa frase.

O que lhe dirias?

Tenho a sorte de ter na vida e no coração pessoas bonitas que, para além de bonitas, ainda me fazem as vontades e alinham comigo nestas ideias (sou abençoada, eu sei). Aqui está o (nosso) resultado. Juntos. Porque o coração não tem distância.

E tu, o que lhe dirias? Mostra-o. Vive-o. Sê-o. Todos os dias. E nunca o esqueças, por favor.

 

Sabes o valor infinito que tem salvar alguém?

Às vezes a tempestade assalta-te. Pesa-te na alma. Aperta-te o coração. Nem todos os dias são em forma de sorriso (e isso não tem mal).

E depois aquele abraço. Aquele abraço que te abraça além do abraço. Aquele abraço que te quer e te chama e te pede para ficares. E tu, que te entregas, como quem não conhece melhor lugar para ficar. Para morar. Para existir. Para amar. Aquele abraço que te abriga. Aquele abraço onde te permites largar tudo. E todo o peso do mundo e todo o aperto da vida, que carregaste e absorveste em ti, começa a desatar-se de ti. Desata-se, pouco a pouco, e devolve-te a respiração, enquanto te percorre a alma, o coração, a voz, o sorriso, o olhar. Desata-se de ti porque há um novo laço que se apodera de ti. Mais forte do que qualquer peso do mundo. Mais forte do que qualquer aperto da vida. Mais forte do que qualquer tempestade. Há aquele abraço. Que te envolve bem e se enlaça a ti. Enlaça-se mesmo a ti. Por fora e por dentro. Como quem não conhece melhor expressão e declaração de amor do que esta: um abraço que te quer e te chama e te pede para ficares. Um abraço que quer ser-te casa. Um abraço que te salva.

Um abraço que te prova que os milagres acontecem: que até uma alma pesada e um coração apertado podem ser salvos. Que até os dias que não são em forma de sorriso podem ser em forma de amor. E não há melhor forma para viver os dias. Não há melhor forma para viver a vida.

Sabes o valor infinito que tem salvar alguém?

Um caso sério

No meio de todos os casos sérios do mundo, no meio de todos os casos sérios que nos mostram e nos ensinam todos os dias, o verdadeiro caso sério, deixa-me dizer-te, é um milagre que te acontece por dentro. O verdadeiro caso sério acontece-te com a força arrebatadora que só o amor consegue. No meio de todos os casos sérios do mundo, o verdadeiro caso sério acontece-te quando há um abraço que chega para te abrigar para sempre. Um abraço que te chega quando mais nada chega é um caso sério. No meio de todos os casos sérios do mundo, o verdadeiro caso sério acontece-te quando há uma mão que chega para te segurar e te abraçar tanto. Uma mão que te chega quando mais nada chega é um caso sério. No meio de todos os casos sérios do mundo, o verdadeiro caso sério acontece-te quando há um olhar que chega para ler tudo o que és. Um olhar que te chega quando mais nada chega é um caso sério. No meio de todos os casos sérios do mundo, o verdadeiro caso sério acontece-te quando há um sorriso que chega para melhorar o teu dia. E o teu coração. Um sorriso que te chega quando mais nada chega é um caso sério. No meio de todos os casos sérios do mundo, o verdadeiro caso sério acontece-te quando há um beijo que chega para curar todos os pedacinhos que te doem. Um beijo que te chega quando mais nada chega é um caso sério. No meio de todos os casos sérios do mundo, o verdadeiro caso sério acontece-te quando há alguém que chega para te ser um lugar de amor, para te ser casa. Alguém que te chega quando mais nada chega é um caso sério. No meio de todos os casos sérios do mundo, o verdadeiro caso sério acontece-te quando o amor chega para tornar todos os casos sérios do mundo menos sérios. O amor que te chega quando mais nada chega é um caso sério. É o teu caso sério. Um milagre que te acontece por dentro. No meio de todos os casos sérios do mundo, no meio de todos os casos sérios que nos mostram e nos ensinam todos os dias, o verdadeiro caso sério, deixa-me dizer-te, é (só) o amor.

Quem consegue (realmente) ver-te?

Há sempre alguém que te vê. Que realmente te vê. Não há volta a dar. Há sempre alguém que te descobre por dentro. Que te descobre por detrás das barreiras que vais construindo, mesmo sem saberes. Que te descobre por detrás de tudo o que o mundo vê em ti e, principalmente, por detrás do que ninguém vê: por detrás dos teus medos, dos teus fantasmas, das tuas dores e das tuas cicatrizes. Há sempre alguém que te vê. Que realmente te vê. Não há volta a dar. Há sempre alguém que te baixa a guarda, te abre a porta e se convida a entrar. Mesmo sem saberes. Mesmo sem quereres. Mesmo que fujas. Há sempre alguém que te ultrapassa e te descobre por dentro. Que te atravessa a alma e encontra o que és. Há sempre alguém que te vê. Que realmente te vê. Não há volta a dar. Há sempre alguém que te sorri como quem te (pres)sente, que te dá a mão como quem te resgata, que te abraça como quem te salva e que te olha, por dentro, e te vê. Que realmente te vê. Não há volta a dar. Sabes? Por detrás de tudo o que o mundo vê em ti e, principalmente, por detrás do que ninguém vê, venha quem vier, as tuas pessoas são sempre as que conseguem ver-te. Realmente ver-te. Sem haver volta a dar.

Cartas de amor, à afilhada Mariana.

Querida Mariana,

Tu ainda não sabes, mas a tua vida salva vidas. Segura corações. Vieste salvar-nos um bocadinho, mesmo sem saberes. Mesmo sem nós sabermos, também. O milagre da tua vida, da tua vinda, tornou mais doce o mundo que, durante este ano, se fez sentir um bocadinho mais escuro e pesado. Tu ainda não sabes, mas eu vou dizer-te: tornaste o mundo melhor, só porque nasceste. Também ainda não sabes, mas um dia vais saber, que tornar o mundo melhor para alguém é a coisa mais bonita do mundo. É a coisa mais importante do mundo. Os teus Papás escolheram-me para ser tua Madrinha. Vou contar-te um segredo: às vezes, quando penso em ti, em cuidar de ti, tenho medo de não saber sempre fazer bem tudo o que tu precisas. E depois, outras vezes, tu ris-te só porque eu olhei para ti, e abraças-me o coração (e fazes-me sentir a melhor palhacinha do mundo, também). Não tenho muito para te dar, mas prometo tentar ser-te sempre um lugar de amor. Tu ainda não sabes, mas a tua vida salva vidas. Segura corações. O milagre da tua vida, da tua vinda, tornou mais doce o nosso mundo. O meu e o das tuas pessoas. Que são as minhas também. Vou contar-te um segredo: só por as salvares a elas todos os dias, já me salvas tanto a mim também. Mesmo sem saberes. Ou, se calhar, até sabes.

 

Com amor,

da tia-madrinha-dinda, Daniela.

O que de verdade importa

Há sempre um abraço que te abraça como uma casa segura. Há sempre uma mão que nasceu para se encaixar na tua. Há sempre um olhar que consegue ver o teu coração. Há sempre um sorriso que te toca a alma e te dá a mão. Há sempre um beijo que cura tudo o que te possa doer. Há sempre um coração que, mesmo em silêncio, tu sentes bater. Há sempre um sonho, com toda a força, para acreditar. Há sempre uma música e um momento para partilhar. Tens sempre alguém que precisa tanto do teu sorriso. Tens sempre alguém de abraço aberto quando for preciso. Tens sempre alguém que vê um milagre quando olha para ti. E tens-me a mim, que vou para sempre amar-te a ti. Escuta bem este segredo, sorri e abraça bem forte, dá-me a tua mão. Na vida só o amor importa e o segredo é este: só se vê bem com o coração.

 

Para a minha sobrinha Mariana.

E para os pais. E para mim. E para ti. Para todos. Para nunca esquecer (e para lembrar sempre) o que de verdade importa.

Com amor,

Daniela.