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menina dos abraços

Um abraço: o meu lugar.

menina dos abraços

Um abraço: o meu lugar.

Abraça-me.

Abraça-me. Abraça-me bem. Forte. Sem distância. Abraça-me como quem me espera, me chama e me recebe, com sabor a casa. Abraça-me como quem me segura, inteira. Abraça-me como quem me resgata e me esconde do mundo inteiro. Abraça-me como quem me sossega o coração. Abraça-me como quem cura tudo. Abraça-me como quem me olha e me vê, mesmo de olhos fechados. Abraça-me como quem me fala, em silêncio. Abraça-me como quem me sente e me ouve o coração. Abraça-me como quem me sorri, directamente na alma. Abraça-me como quem compassa o seu coração com o meu. Abraça-me como quem me ultrapassa o corpo, me percorre a alma e me abraça o coração. Abraça-me como quem me funde em si. Para si. Abraça-me como quem se faz morada. Como quem me faz morada. Abraça-me como quem me faz existir só por dentro. Deste abraço. Abraça-me como quem não me sabe largar mais. Como quem me abraça para sempre e, para sempre, me abraça tanto. Abraça-me como quem abraça o amor. Com amor.

demora-te (dentro de um abraço)

O mundo corre mais depressa que o tempo. O tempo não pára e dizem-nos que não podemos demorar. Ensinaram-nos, e ensinam-nos todos os dias, que não há tempo para parar. Não há tempo para demorar. E vamos passando, apressados, pelos dias, quase sempre sem parar. Sem reparar. Sem sentir, nada mais do que a correria do mundo e do tempo. Quase, até, sem respirar. Sem viver para o que realmente nos faz viver. Para o que nos faz amar.

Mas, hoje, eu quero dizer-te uma coisa: demora-te.

Dentro de um abraço.

Abraça alguém de quem gostas muito. Abraça alguém que precisa de um abraço. Abraça alguém porque tu precisas de um abraço. Abraça porque um abraço é a forma mais bonita de (de)morar. E demora-te.

Demora-te dentro de um abraço que, mesmo antes de abrir os braços, já está a chamar-te. Um abraço que te chama com o olhar, um abraço que te convida a entrar. A ficar. A morar. Demora-te dentro de um abraço que te abraça por inteiro. Um abraço que segura cada pedaço do teu coração. Da tua alma. Demora-te dentro de um abraço que te cura. Um abraço que sossega os medos. Um abraço que acalma as tempestades. Um abraço que te salva. Demora-te dentro de um abraço que te aquece quando o mundo é frio (e quando não é, também). Um abraço que te mostra o mundo mais bonito de todos os mundos. Demora-te dentro de um abraço-casa. Um abraço que te guarda dentro. Um abraço que te abriga do mundo inteiro. Um abraço que é o teu lugar. Demora-te dentro de um abraço que é a forma do amor. Um abraço que enlaça dois corações. Um abraço que te abraça para sempre. Demora-te dentro de um abraço que chega quando mais nada chega.

Demora-te dentro de um abraço. Mesmo que o mundo corra mais depressa que o tempo. Mesmo que o tempo não pare e que digam que não podemos demorar. Demora-te. Demora-te, porque é dentro de um abraço que o mundo pára. Que o tempo pára. E só quando paramos para nos demorarmos em algo, em alguém, é que vivemos. É que amamos.

E a verdade é esta: Mesmo que o mundo corra mais depressa que o tempo e mesmo que o tempo não pare, não há correria nenhuma no mundo que compense o amor de um abraço demorado. E o milagre de um coração a sorrir.

 

(Texto publicado no Elefante de Papel, aqui.)

"menina dos abraços"

Há uns bons anos atrás, quando eu ainda não sabia bem qual era o meu lugar no mundo, houve alguém que num dia, num momento, me disse que eu era a "menina dos abraços". Não sei se eu o soube de imediato, não sei se no fundo eu até já o sabia. Só sei que hoje, anos depois, para mim, um abraço é a melhor forma do amor. Não há melhor lugar no mundo, para mim, do que um abraço. Não há melhor lugar no mundo onde eu possa pertencer, onde eu possa ser, onde eu possa morar, onde eu possa amar, do que um abraço. Um abraço: o meu lugar. O (meu) melhor lugar do mundo.

há abraços.

Há abraços que nos cativam o coração. Há abraços que nos chamam, à distância de um olhar. Há abraços que nos sorriem, por dentro das mãos dadas. Há abraços que nos abraçam por inteiro. Há abraços que nos seguram, que nos fundem em si, que nos inundam de si. Há abraços que nos vêem por dentro, mesmo de olhos fechados. Há abraços que nos escutam o silêncio. Há abraços que nos sentem e nos ouvem o coração. Há abraços que nos contam segredos. Há abraços que nos ultrapassam o corpo, nos percorrem a alma e nos abraçam o coração. Há abraços que nos guardam bem dentro. Há abraços que nos salvam, que nos curam. Há abraços que nos abraçam com o coração do coração. Há abraços que nos ensinam o amor. Há abraços que, depois de nos abraçarem, nos abraçam para sempre.

feliz dia do abraço

Um olhar e um sorriso. E um abraço. Um beijo e um dar de mãos. E um abraço. Um silêncio e uma cumplicidade. E um abraço. Um céu e o sol. E um abraço. As estrelas e a lua. E um abraço. A chuva e um chá quente. E um abraço. Um dia e uma noite. E um abraço. Um riso e uma lágrima. E um abraço. Um adormecer e um acordar. E um abraço. Um sossego e um medo. E um abraço. Uma música e um segredo. E um abraço. Um segundo e uma eternidade. E um abraço. Um abraço. Sempre. Mais e mais.

Não digo nada, as palavras nunca são precisas quando se sabe ouvir o silêncio.

Sentada à janela, como sempre. Lá fora o sol, o céu, o infinito. Cá dentro um abraço que se aproxima. Aproximas-te de mim, pé ante pé, e eu já sei o teu abraço a chamar-me, mesmo antes de chegares a mim. Chegas a mim e dás-me razão, assim que as tuas mãos chamam as minhas. Levanto-me. Sorrio-te. Não digo nada, as palavras nunca são precisas quando as mãos se chamam e se dão. Olhas-me fundo. Olhas-me como quem me olha a alma, o coração. Olho-te. Sorrio. Não digo nada, as palavras nunca são precisas quando se olha por dentro. Sorris. Sorris como quem me ouve o silêncio. E sabes o meu abraço a chamar-te, tal como eu sei o teu abraço a chamar-me desde que ouvi os teus passos aproximarem-se. Sorrio. Não digo nada, as palavras nunca são precisas quando se sabe ouvir o silêncio. Abraças-me forte. Os teus braços a abraçar-me e as tuas mãos a segurar-me. Abraças-me como se o abraço fosse o mundo de todos os mundos. Abraço-te forte. Sinto a tua respiração e o teu coração a bater. Sorrio. Não digo nada, as palavras nunca são precisas quando o abraço é o mundo de todos os mundos. Olhas-me e sorris-me. Olho-te e sorrio-te. Não digo nada, as palavras nunca são precisas quando se sorri porque já se disse tudo, sem ser preciso dizer.

era uma vez...

Era uma vez uma menina que nasceu para abraçar. Ela acreditava e sentia e sabia, no seu coração, que o mundo podia tornar-se um bocadinho melhor, com abraços. Mas estes abraços tinham um segredo. Abraços, já viste? Ela sabia que abraçar não era suficientemente grande para melhorar o mundo inteiro, que é gigante. Mas ela também sabia que, se todos fizessem um gesto de amor pequenino, no final, todos os gestos juntos, formavam um gesto de amor gigante, tal como o mundo. Cada um só tinha de procurar, bem dentro do seu coração, qual a sua função para tornar o mundo um bocadinho melhor, e fazê-la. E a da menina era abraçar. E foi assim. Um dia, a menina encontrou dois meninos muito zangados um com o outro. Estavam a jogar à bola e nenhum dos dois queria perder. A menina abraçou primeiro um menino e depois o outro. Eles olharam um para o outro a sorrir, fizeram as pazes e voltaram a brincar sem mais zangas. Outro dia, a menina encontrou uma flor muito triste. O vento estava muito forte e tinha-lhe levado uma das suas pétalas. A menina abraçou a flor e a flor sentiu que continuava a ser muito bonita, mesmo sem uma pétala. A flor sorriu e voltou a ser feliz. Outro dia, a menina encontrou um velhinho muito confuso. Tinha-se esquecido do caminho certo para casa. A menina abraçou o velhinho o tempo suficiente para ele se lembrar do caminho. O velhinho sorriu e voltou a encontrar o caminho certo. Outro dia, a menina encontrou uma borboleta sem vontade de voar. Estava a chover e a borboleta gostava mais do sol quentinho. A menina abraçou a borboleta e a borboleta soube que, depois da chuva, o sol ia voltar para a aquecer. A borboleta sorriu e voltou a voar. Outro dia, a menina encontrou uma senhora a chorar. Doía-lhe o coração - às vezes acontece - disse-lhe a senhora. A menina abraçou a senhora com o seu coração bem juntinho do dela, com muita força. A senhora sorriu, limpou as lágrimas e o seu coração voltou a deixar de doer. Era uma vez uma menina que nasceu para abraçar. Mas estes abraços tinham um segredo. O segredo? - Sempre que abrires os teus braços para abraçar, abre também o teu coração. E abraça bem forte, com todo o amor que tens dentro dele. É assim que se curam corações, pessoas, mundos. - contou-me a menina.

o mundo de todos os mundos.

É a ideia de que, quando os braços abraçam, não são (só) os braços que abraçam. Os braços abrem-te um abrigo que te abriga. Um aconchego que te aconchega. Um espaço que te encaixa. Um lugar que te chama, que te quer, que te espera, que te recebe, dentro. Uma casa que é tua. O mundo de todos os mundos. Um tanto que te cura. Um abraço que te abraça. Para além do teu corpo, para além do corpo que se funde com o teu. Ultrapassa-te o corpo e percorre-te a alma, até te abraçar o coração. Um abraço de corações que se falam e se ouvem. Que se tocam e se sabem. Que se olham e se respiram. Que se sentem e se sossegam. Que se vivem e se imortalizam. Um abraço que te abraça. Para além do teu corpo, para além do corpo que se funde com o teu. Abraça-se o corpo, a alma, o coração, todo.

deixa-me falar-te de amor.

E não venham dizer-me que o amor é só isto e só aquilo. Não resumam o amor, por favor. O amor é sempre tanto mais. Do que todas as cores com que o pintam. Do que todas as formas com que o desenham. Do que todas as palavras com que o definem. Do que todos os resumos com que o resumem. E, com as tuas pessoas, as tuas mesmo tuas, encontra-lo todos os dias, ao amor. Deixa-me falar-te de amor. Abraçares as tuas pessoas e sentires que podes morar nesses abraços para sempre. Se isto não é (também) amor, o que é então?