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menina dos abraços

Um abraço: o meu lugar.

menina dos abraços

Um abraço: o meu lugar.

O teu lugar

O teu lugar. Onde pertences. Onde és. Onde moras. Onde amas. O teu lugar para onde podes sempre voltar. Para onde podes sempre correr. O teu lugar. O teu lugar que te abraça e te abriga de todos os medos. O teu lugar que te abraça e te segura de todas as quedas. O teu lugar que te abraça e te resgata de todos os trilhos perdidos. O teu lugar que te abraça e te sossega de todas as confusões. O teu lugar que te abraça e te cura de todas as dores. O teu lugar que te abraça e te aquece de todos os invernos. O teu lugar que te abraça e te salva de tudo. De tudo. O teu lugar que te abraça e te ama. O teu lugar que te abraça para sempre. O teu lugar. Que pode ser um lugar. Mas que é, quase sempre, o amor a abraçar-te.

Abraços-milagre

Acabar o dia com a alma pesada. Com o coração apertado. Nem todos os dias acabam em sorrisos. E não faz mal. E depois aquele abraço. Aquele abraço que te quer e te chama e te pede para ficares. E tu, que te entregas como quem não conhece melhor lugar para ficar. Para morar. Para existir. Aquele abraço que te abriga. Aquele abraço onde te permites largar tudo. E todo o peso do mundo e todo o aperto da vida, que absorveste e carregaste em ti durante o dia, quase sem quereres, começa a desatar-se de ti. Desata-se, pouco a pouco, sem sequer teres tempo de querer, e percorre-te a alma, o coração, a voz, o sorriso, os olhos. Tanto os olhos. Desata-se de ti porque há um novo laço que se apodera de ti. Mais forte que qualquer peso do mundo. Mais forte que qualquer aperto da vida. Há aquele abraço. Que te aperta, desta vez sem sufocar, e se enlaça a ti. Enlaça-se mesmo a ti. Por fora e por dentro. Como quem não conhece melhor expressão e declaração de amor do que esta: um abraço que te quer e te chama e te pede para ficares. Um abraço que quer ser-te casa. Um abraço que te salva. Um abraço que te prova que os milagres acontecem: que até os dias que não acabam em sorrisos, podem acabar em forma de amor. Que até os dias que não acabam em sorrisos, podem acabar por sorrir. E não há melhor forma de acabar o dia. Não há melhor forma de viver a vida.

Abraça-me.

Abraça-me. Abraça-me bem. Forte. Sem distância. Abraça-me como quem me espera, me chama e me recebe, com sabor a casa. Abraça-me como quem me segura, inteira. Abraça-me como quem me resgata e me esconde do mundo inteiro. Abraça-me como quem me sossega o coração. Abraça-me como quem cura tudo. Abraça-me como quem me olha e me vê, mesmo de olhos fechados. Abraça-me como quem me fala, em silêncio. Abraça-me como quem me sente e me ouve o coração. Abraça-me como quem me sorri, directamente na alma. Abraça-me como quem compassa o seu coração com o meu. Abraça-me como quem me ultrapassa o corpo, me percorre a alma e me abraça o coração. Abraça-me como quem me funde em si. Para si. Abraça-me como quem se faz morada. Como quem me faz morada. Abraça-me como quem me faz existir só por dentro. Deste abraço. Abraça-me como quem não me sabe largar mais. Como quem me abraça para sempre e, para sempre, me abraça tanto. Abraça-me como quem abraça o amor. Com amor.

demora-te (dentro de um abraço)

O mundo corre mais depressa que o tempo. O tempo não pára e dizem-nos que não podemos demorar. Ensinaram-nos, e ensinam-nos todos os dias, que não há tempo para parar. Não há tempo para demorar. E vamos passando, apressados, pelos dias, quase sempre sem parar. Sem reparar. Sem sentir, nada mais do que a correria do mundo e do tempo. Quase, até, sem respirar. Sem viver para o que realmente nos faz viver. Para o que nos faz amar.

Mas, hoje, eu quero dizer-te uma coisa: demora-te.

Dentro de um abraço.

Abraça alguém de quem gostas muito. Abraça alguém que precisa de um abraço. Abraça alguém porque tu precisas de um abraço. Abraça porque um abraço é a forma mais bonita de (de)morar. E demora-te.

Demora-te dentro de um abraço que, mesmo antes de abrir os braços, já está a chamar-te. Um abraço que te chama com o olhar, um abraço que te convida a entrar. A ficar. A morar. Demora-te dentro de um abraço que te abraça por inteiro. Um abraço que segura cada pedaço do teu coração. Da tua alma. Demora-te dentro de um abraço que te cura. Um abraço que sossega os medos. Um abraço que acalma as tempestades. Um abraço que te salva. Demora-te dentro de um abraço que te aquece quando o mundo é frio (e quando não é, também). Um abraço que te mostra o mundo mais bonito de todos os mundos. Demora-te dentro de um abraço-casa. Um abraço que te guarda dentro. Um abraço que te abriga do mundo inteiro. Um abraço que é o teu lugar. Demora-te dentro de um abraço que é a forma do amor. Um abraço que enlaça dois corações. Um abraço que te abraça para sempre. Demora-te dentro de um abraço que chega quando mais nada chega.

Demora-te dentro de um abraço. Mesmo que o mundo corra mais depressa que o tempo. Mesmo que o tempo não pare e que digam que não podemos demorar. Demora-te. Demora-te, porque é dentro de um abraço que o mundo pára. Que o tempo pára. E só quando paramos para nos demorarmos em algo, em alguém, é que vivemos. É que amamos.

E a verdade é esta: Mesmo que o mundo corra mais depressa que o tempo e mesmo que o tempo não pare, não há correria nenhuma no mundo que compense o amor de um abraço demorado. E o milagre de um coração a sorrir.

 

(Texto publicado no Elefante de Papel, aqui.)

"menina dos abraços"

Houve alguém que, num dia, num momento, me disse que eu era a "menina dos abraços". Não sei se eu o soube de imediato. Não sei se no fundo eu até já o sabia. Só sei que hoje, anos depois, eu sou aquela que acredita que um abraço é a melhor forma do amor. Não há melhor lugar no mundo, para mim, do que um abraço. Não há melhor lugar no mundo onde eu possa pertencer, onde eu possa ser, onde eu possa morar, onde eu possa amar, do que um abraço. Um abraço: o meu lugar. O (meu) melhor lugar do mundo.

Eu sou, também, aquela que acredita que o amor muda o mundo. Que acredita que um pedacinho de amor, mesmo o mais pequenino, muda o mundo. E é isto que me faz escrever, de vez em quando, por aqui.

há abraços.

Há abraços que nos cativam o coração. Há abraços que nos chamam, à distância de um olhar. Há abraços que nos sorriem, por dentro das mãos dadas. Há abraços que nos abraçam por inteiro. Há abraços que nos seguram, que nos fundem em si, que nos inundam de si. Há abraços que nos vêem por dentro, mesmo de olhos fechados. Há abraços que nos escutam o silêncio. Há abraços que nos sentem e nos ouvem o coração. Há abraços que nos contam segredos. Há abraços que nos ultrapassam o corpo, nos percorrem a alma e nos abraçam o coração. Há abraços que nos guardam bem dentro. Há abraços que nos salvam, que nos curam. Há abraços que nos abraçam com o coração do coração. Há abraços que nos ensinam o amor. Há abraços que, depois de nos abraçarem, nos abraçam para sempre.

feliz dia do abraço

Um olhar e um sorriso. E um abraço. Um beijo e um dar de mãos. E um abraço. Um silêncio e uma cumplicidade. E um abraço. Um céu e o sol. E um abraço. As estrelas e a lua. E um abraço. A chuva e um chá quente. E um abraço. Um dia e uma noite. E um abraço. Um riso e uma lágrima. E um abraço. Um adormecer e um acordar. E um abraço. Um sossego e um medo. E um abraço. Uma música e um segredo. E um abraço. Um segundo e uma eternidade. E um abraço. Um abraço. Sempre. Mais e mais.

Não digo nada, as palavras nunca são precisas quando se sabe ouvir o silêncio.

Sentada à janela, como sempre. Lá fora o sol, o céu, o infinito. Cá dentro um abraço que se aproxima. Aproximas-te de mim, pé ante pé, e eu já sei o teu abraço a chamar-me, mesmo antes de chegares a mim. Chegas a mim e dás-me razão, assim que as tuas mãos chamam as minhas. Levanto-me. Sorrio-te. Não digo nada, as palavras nunca são precisas quando as mãos se chamam e se dão. Olhas-me fundo. Olhas-me como quem me olha a alma, o coração. Olho-te. Sorrio. Não digo nada, as palavras nunca são precisas quando se olha por dentro. Sorris. Sorris como quem me ouve o silêncio. E sabes o meu abraço a chamar-te, tal como eu sei o teu abraço a chamar-me desde que ouvi os teus passos aproximarem-se. Sorrio. Não digo nada, as palavras nunca são precisas quando se sabe ouvir o silêncio. Abraças-me forte. Os teus braços a abraçar-me e as tuas mãos a segurar-me. Abraças-me como se o abraço fosse o mundo de todos os mundos. Abraço-te forte. Sinto a tua respiração e o teu coração a bater. Sorrio. Não digo nada, as palavras nunca são precisas quando o abraço é o mundo de todos os mundos. Olhas-me e sorris-me. Olho-te e sorrio-te. Não digo nada, as palavras nunca são precisas quando se sorri porque já se disse tudo, sem ser preciso dizer.