Cartas de amor, à afilhada Joana
Querida Joana,
Eu estou quase a fazer anos e tu estás quase a nascer.
Há alturas, como esta, em que olho (com os olhos do coração) para este milagre que é a vida, e recordo tudo o que mais importa. Com o coração agradecido e, ao mesmo tempo, com o coração cheio de esperança (e de prece) de que isso, o que mais importa, nunca nos falte. Nunca te falte.
Sabes, acho que é este um dos maiores segredos: olhar com o coração.
Pouco depois da tua mana Mariana nascer, eu também lhe escrevi. E disse-lhe que, mesmo sem saber, ela tornou o mundo melhor, só porque nasceu. O milagre da sua vida, da sua vinda, tornou mais doce o nosso mundo.
Tu ainda não nasceste, e também ainda não sabes, mas eu vou dizer-te: tu também vais iluminar os nossos dias, a nossa vida. Vai ser a tua vida, a tua vinda, a segurar cada pedacinho do nosso mundo que, às vezes, parece cair. A colar, com a cola mágica do amor, cada laço que, às vezes, parece quebrar. A trazer o sol que afasta as nuvens cinzentas que, às vezes, teimam em aparecer.
Tu ainda não sabes, mas um dia vais saber, que isso, tornar o mundo melhor para alguém, é a coisa mais bonita do mundo. É a coisa mais importante do mundo.
Sabes, os teus Papás escolheram-me, de novo, para ser tua Madrinha. Não sei se isso quer dizer que tenho feito alguma coisa de bem, mas eu vou dizer-te o mesmo que disse à tua irmã Mariana: eu não tenho muito para te dar, mas prometo tentar ser-te sempre um lugar de amor.
É isso, sabes? O que mais importa. O amor.
Tu ainda não nasceste, e se calhar ainda não sabes, mas um dia vais saber.
Ou, se calhar, até já sabes.
Aposto que é isso que nos vais ensinar e recordar a todos quando chegares, não é?
Com amor,
Da tia-madrinha-dinda, Daniela.