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menina dos abraços

Um abraço: o meu lugar.

menina dos abraços

Um abraço: o meu lugar.

Abraços-milagre

Acabar o dia com a alma pesada. Com o coração apertado. Nem todos os dias acabam em sorrisos. E não faz mal. E depois aquele abraço. Aquele abraço que te quer e te chama e te pede para ficares. E tu, que te entregas como quem não conhece melhor lugar para ficar. Para morar. Para existir. Aquele abraço que te abriga. Aquele abraço onde te permites largar tudo. E todo o peso do mundo e todo o aperto da vida, que absorveste e carregaste em ti durante o dia, quase sem quereres, começa a desatar-se de ti. Desata-se, pouco a pouco, sem sequer teres tempo de querer, e percorre-te a alma, o coração, a voz, o sorriso, os olhos. Tanto os olhos. Desata-se de ti porque há um novo laço que se apodera de ti. Mais forte que qualquer peso do mundo. Mais forte que qualquer aperto da vida. Há aquele abraço. Que te aperta, desta vez sem sufocar, e se enlaça a ti. Enlaça-se mesmo a ti. Por fora e por dentro. Como quem não conhece melhor expressão e declaração de amor do que esta: um abraço que te quer e te chama e te pede para ficares. Um abraço que quer ser-te casa. Um abraço que te salva. Um abraço que te prova que os milagres acontecem: que até os dias que não acabam em sorrisos, podem acabar em forma de amor. Que até os dias que não acabam em sorrisos, podem acabar por sorrir. E não há melhor forma de acabar o dia. Não há melhor forma de viver a vida.

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