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menina dos abraços

Um abraço: o meu lugar.

menina dos abraços

Um abraço: o meu lugar.

Não digo nada, as palavras nunca são precisas quando se sabe ouvir o silêncio.

Sentada à janela, como sempre. Lá fora o sol, o céu, o infinito. Cá dentro um abraço que se aproxima. Aproximas-te de mim, pé ante pé, e eu já sei o teu abraço a chamar-me, mesmo antes de chegares a mim. Chegas a mim e dás-me razão, assim que as tuas mãos chamam as minhas. Levanto-me. Sorrio-te. Não digo nada, as palavras nunca são precisas quando as mãos se chamam e se dão. Olhas-me fundo. Olhas-me como quem me olha a alma, o coração. Olho-te. Sorrio. Não digo nada, as palavras nunca são precisas quando se olha por dentro. Sorris. Sorris como quem me ouve o silêncio. E sabes o meu abraço a chamar-te, tal como eu sei o teu abraço a chamar-me desde que ouvi os teus passos aproximarem-se. Sorrio. Não digo nada, as palavras nunca são precisas quando se sabe ouvir o silêncio. Abraças-me forte. Os teus braços a abraçar-me e as tuas mãos a segurar-me. Abraças-me como se o abraço fosse o mundo de todos os mundos. Abraço-te forte. Sinto a tua respiração e o teu coração a bater. Sorrio. Não digo nada, as palavras nunca são precisas quando o abraço é o mundo de todos os mundos. Olhas-me e sorris-me. Olho-te e sorrio-te. Não digo nada, as palavras nunca são precisas quando se sorri porque já se disse tudo, sem ser preciso dizer.

era uma vez...

Era uma vez uma menina que nasceu para abraçar. Ela acreditava e sentia e sabia, no seu coração, que o mundo podia tornar-se um bocadinho melhor, com abraços. Mas estes abraços tinham um segredo. Abraços, já viste? Ela sabia que abraçar não era suficientemente grande para melhorar o mundo inteiro, que é gigante. Mas ela também sabia que, se todos fizessem um gesto de amor pequenino, no final, todos os gestos juntos, formavam um gesto de amor gigante, tal como o mundo. Cada um só tinha de procurar, bem dentro do seu coração, qual a sua função para tornar o mundo um bocadinho melhor, e fazê-la. E a da menina era abraçar. E foi assim. Um dia, a menina encontrou dois meninos muito zangados um com o outro. Estavam a jogar à bola e nenhum dos dois queria perder. A menina abraçou primeiro um menino e depois o outro. Eles olharam um para o outro a sorrir, fizeram as pazes e voltaram a brincar sem mais zangas. Outro dia, a menina encontrou uma flor muito triste. O vento estava muito forte e tinha-lhe levado uma das suas pétalas. A menina abraçou a flor e a flor sentiu que continuava a ser muito bonita, mesmo sem uma pétala. A flor sorriu e voltou a ser feliz. Outro dia, a menina encontrou um velhinho muito confuso. Tinha-se esquecido do caminho certo para casa. A menina abraçou o velhinho o tempo suficiente para ele se lembrar do caminho. O velhinho sorriu e voltou a encontrar o caminho certo. Outro dia, a menina encontrou uma borboleta sem vontade de voar. Estava a chover e a borboleta gostava mais do sol quentinho. A menina abraçou a borboleta e a borboleta soube que, depois da chuva, o sol ia voltar para a aquecer. A borboleta sorriu e voltou a voar. Outro dia, a menina encontrou uma senhora a chorar. Doía-lhe o coração - às vezes acontece - disse-lhe a senhora. A menina abraçou a senhora com o seu coração bem juntinho do dela, com muita força. A senhora sorriu, limpou as lágrimas e o seu coração voltou a deixar de doer. Era uma vez uma menina que nasceu para abraçar. Mas estes abraços tinham um segredo. O segredo? - Sempre que abrires os teus braços para abraçar, abre também o teu coração. E abraça bem forte, com todo o amor que tens dentro dele. É assim que se curam corações, pessoas, mundos. - contou-me a menina.

o mundo de todos os mundos.

É a ideia de que, quando os braços abraçam, não são (só) os braços que abraçam. Os braços abrem-te um abrigo que te abriga. Um aconchego que te aconchega. Um espaço que te encaixa. Um lugar que te chama, que te quer, que te espera, que te recebe, dentro. Uma casa que é tua. O mundo de todos os mundos. Um tanto que te cura. Um abraço que te abraça. Para além do teu corpo, para além do corpo que se funde com o teu. Ultrapassa-te o corpo e percorre-te a alma, até te abraçar o coração. Um abraço de corações que se falam e se ouvem. Que se tocam e se sabem. Que se olham e se respiram. Que se sentem e se sossegam. Que se vivem e se imortalizam. Um abraço que te abraça. Para além do teu corpo, para além do corpo que se funde com o teu. Abraça-se o corpo, a alma, o coração, todo.

abraço

Abraço de carinho. Abraço de abrigo. Abraço de amor. Abraço de sempre. Abraço de não me largues mais. Abraço de sentir. Abraço de medo. Abraço de silêncio. Abraço de amizade. Abraço fechado. Abraço que completa. Abraço de sinto-te. Abraço de não tenhas medo. Abraço imortal. Abraço de saudade. Abraço de (re)encontro. Abraço de vivo-te. Abraço de lágrimas. Abraço de sorriso. Abraço que cativa. Abraço de mimo. Abraço que chega. Abraço de desejo. Abraço de despedida. Abraço puro. Abraço de brincadeira. Abraço cúmplice. Abraço de preciso-te. Abraço de gosto de ti. Abraço grátis. Abraço de fuga. Abraço de desespero. Abraço com música. Abraço de olhar. Abraço forte. Abraço cheio. Abraço fundo. Abraço bem junto. Abraço feliz. Abraço de tenho-te. Abraço de tens-me. Abraço uno. Abraço de paixão. Abraço essencial. Abraço de coração. Abraço de alma. Abraço de entrega. Abraço de tanto para dizer. Abraço que diz tudo. Abraço vital. Abraço de borboletas na barriga. Abraço de desvairos. Abraço que cura. Abraço que prende. Abraço de voar. Abraço de sonho. Abraço de perdão. Abraço de amo-te. Abraço de segredo. Abraço de presente. Abraço de obrigado. Abraço de orgulho. Abraço de família. Abraço que aconchega. Abraço de igualdade. Abraço siamês. Abraço de anjo. Abraço de tanto. Abraço. Abraço de abraço. Apenas. E é tanto. Tanto.