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menina dos abraços

Um abraço: o meu lugar.

menina dos abraços

Um abraço: o meu lugar.

Somos casas

Somos casas. Construídas e cimentadas pelas nossas histórias. As que vivemos. As que ficam. E as que, mesmo não ficando, ficam marcadas também. Somos casas. Não há casas iguais. Cada casa constrói-se quase sem querer e cimenta-se com o que se vai aprendendo a querer. A escolher. Com o que fica.

Sou casa. Construída pelas minhas histórias. As que vivo. As que ficam. E as que, mesmo não ficando, ficam marcadas também. Tenho marcas que ficam para sempre. Não há volta a dar. Sou casa. Morada pelas minhas pessoas. As minhas. As de quem eu sou. Quase podia dizer que, para além de casa morada, sou casa também construída por elas. E digo: sou. Construíram-me, também. Não seria eu, não sou eu, sem elas. Há "pessoas-eu" para sempre. Não há volta a dar. Sou casa. Cimentada pelo amor. O amor que abraça, que entrelaça mãos, que olha mais fundo, que sorri com o coração. Cada casa constrói-se quase sem querer e cimenta-se com o que se vai aprendendo a querer. A escolher. Com o que fica. Não conheço nada que fique mais e que eu possa escolher e querer mais, do que o amor. Só o amor cimenta para sempre. Não há volta a dar.

Somos casas. Há quem chega, de mansinho, pé ante pé, e acaba por entrar. Há quem entra e não fica. E há quem entra e fica. Na esperança de morar.

Sou casa. A ti, que chegas, de mansinho, pé ante pé, e acabas por entrar, tens de saber: Sou casa. Construída pelas minhas histórias. Morada pelas minhas pessoas. Cimentada pelo amor. Não sou casa vazia, sozinha. Eu não sou só eu. Morar-me é abraçar isto. Abraçar o que sou, com tudo o que sou. Não há volta a dar.

Os anos vão passando.

Os anos vão passando. E, quando olhas bem para dentro de ti, quando percorres cada pedaço do teu coração, onde guardas (só) o que importa, percebes que há coisas que tu vais aprendendo.

Os anos vão passando. E tu aprendes que, no meio deste mundo que corre e que te tira tanta vida enquanto corre, afinal há poucas coisas que de verdade importam, há poucas coisas que tu de verdade precisas. Aprendes que afinal o que importa, o que tu precisas, é morar em cada abraço. Aprendes que afinal o que importa, o que tu precisas, é abraçar cada mão dada. Aprendes que afinal o que importa, o que tu precisas, é entregar-te em cada olhar. Aprendes que afinal o que importa, o que tu precisas, é sentir cada sorriso. Aprendes que afinal o que importa, o que tu precisas, é curar em cada beijo. Aprendes que afinal o que importa, o que tu precisas, é amar as tuas pessoas. As que ficam. As que ficam sempre. Para sempre. (E aprendes, também, que afinal as tuas pessoas não são tantas assim.) Aprendes que afinal o que importa, o que tu precisas, é tatuar corações com a tua vida. E deixar que outras vidas te tatuem o coração. Aprendes que afinal o que importa, o que tu precisas, é agradecer cada milagre. E encontrar força para cada tempestade. Aprendes que afinal o que importa, o que tu precisas, é ser e viver, sempre, com o coração. É ser e viver, sempre, com amor.

Os anos vão passando. E tu aprendes que, no meio deste mundo que corre e que te tira tanta vida enquanto corre, afinal a única coisa que de verdade importa, a única coisa que tu de verdade precisas, é o amor. Porque aprendes que afinal é o amor que te devolve a vida. Aprendes que afinal é o amor que te salva. Sempre. Para sempre.

Abraçarem-te a alma.

Abraçarem-te a alma. Sabes o que é? Quando alguém chega, de mansinho, e se mostra por dentro, com tudo o que é, da forma mais verdadeira que é, abraça-te a alma. Quando alguém chega, de mansinho, e consegue ver-te por dentro, com tudo o que és, da forma mais verdadeira que és, abraça-te a alma. Quando alguém te sente o coração (e, às vezes, até o pressente), abraça-te a alma. Quando alguém se faz abraço que cura, abraça-te a alma. Quando alguém te dá a mão como quem te dá o coração, abraça-te a alma. Quando alguém te resgata sempre mais um sorriso, abraça-te a alma. Quando alguém te fala com o coração, e ao coração, abraça-te a alma. Quando alguém se faz presença que sossega, longe ou perto, abraça-te a alma. Quando alguém se faz, e te faz, morada, abraça-te a alma. Quando alguém tatua sorrisos e se tatua no teu coração, abraça-te a alma. Quando alguém se faz pedacinho de amor que salva, abraça-te a alma. Abraçarem-te a alma. Sabes o que é? A forma mais bonita de dizer "gosto de ti", sem ser preciso dizer.

 

Hoje, especialmente para a Mariana.