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menina dos abraços

um abraço: a melhor forma do amor.

menina dos abraços

um abraço: a melhor forma do amor.

Avó

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Era o sabor a infância e a família reunida.
Era as mãos de trabalho sem fim, os pés sempre descalços, a força que nunca esgotava.
Era o querer dar sempre mais, o querer dar tudo.
Era o refilar engraçado, o correr à volta da mesa e o riso até doer a barriga.
Era a melhor sopa, era só mais um docinho.
Era o trocar-nos os nomes todos, até acertar. "Tu és aquela".
Era o ficar sempre a ver-nos ir, sempre à espera de nos ver voltar.
Era o amor de mãe, de avó, de avó a dobrar.
É para sempre. A iluminar-nos e a abraçar-nos para sempre.

(re)lembrar

Pode ser que, de repente, comece a fazer sentido. Parar e demorar. Parar e demorar num abraço mais forte. Parar e demorar num entrelaçar de mãos mais seguro. Parar e demorar num cruzar de olhares mais fundo. Parar e demorar num sorriso mais cúmplice. Parar e demorar num beijo mais longo. Parar e demorar nas pessoas que são nossas, nas pessoas de quem nós somos. Mais uma e outra vez.

Pode ser que, de repente, comece a fazer sentido. Parar e demorar no amor. Pode ser que, de repente, comece a fazer sentido a única coisa que nunca devia ter deixado de fazer sentido. A única coisa que nos faz viver de verdade. Pode ser que, de repente, comece a fazer sentido o amor. E pode ser que, de repente, além de fazer sentido, comece a ser sentido. O amor.

Sobre o que devíamos andar cá a fazer.

Que nunca nos esqueçamos de deixar um abraço de amor pelo caminho. Talvez esse abraço faça sorrir o coração de alguém.

Que nunca nos esqueçamos de estender uma mão de amor pelo caminho. Talvez essa mão salve a vida de alguém.

Que nunca nos esqueçamos de deixar um sorriso de amor pelo caminho. Talvez esse sorriso seja a parte mais bonita do dia de alguém.

Que nunca nos esqueçamos de deixar um olhar de amor pelo caminho. Talvez esse olhar abrace a alma de alguém.

Que nunca nos esqueçamos de deixar um gesto de amor pelo caminho. Talvez esse gesto mude o mundo de alguém.

Que nunca nos esqueçamos de ser vida de amor pelo caminho. Talvez essa vida ilumine alguém.

Que nunca nos esqueçamos de deixar amor pelo caminho. Talvez esse amor seja tanto para alguém.

Talvez seja cura. Talvez seja tudo.

É isso: talvez esse amor seja tudo. Para alguém. E para nós também.

E é.

O amor, em forma de gente.

Pessoas que nos abraçam e nos deixam (de)morar.

Pessoas que nos abrigam por dentro da sua mão dada.

Pessoas que nos sorriem do coração e que nos fazem sorrir o coração.

Pessoas que nos olham nos olhos e nos vêem por dentro.

Pessoas que nos curam com beijinhos de ternura.

Pessoas que nos são colo sempre seguro.

Pessoas que nos falam com palavras, com gestos e com silêncios.

Pessoas que nos escutam as palavras, os gestos e os silêncios.

Pessoas que, longe ou perto, nos estão sempre perto.

Pessoas que nos abraçam a alma e que nos sentem o coração.

Pessoas que nos querem bem de verdade.

Pessoas que nos tatuam amor no coração.

Pessoas que nos inspiram a ser do bem.

Pessoas que ainda nos fazem acreditar.

Pessoas que nos são tanto.

Pessoas que nos salvam, mesmo sem saberem. Só por serem, por estarem, por existirem.

*

O lado bonito da vida. De tudo.

O amor, em forma de gente.

*

Que as saibamos agradecer sempre.

E ser também.

O mundo não é cor-de-rosa.

O mundo não é cor-de-rosa.

Insistem em repetir-me, às vezes, como quem tenta acordar-me para a realidade. Como quem quase parece tentar acusar-me de não ver bem. De só ver o lado bonito. Como se o lado bonito fosse o lado errado. E como se continuar a acreditar fosse sinónimo de fragilidade, de ilusão.

O mundo não é cor-de-rosa.

Eu sei. Eu também vejo. Tanto. Eu sei.

Mas eu também sei que é quando o mundo está cinzento, que um gesto de amor, mesmo o mais pequenino, lhe dá mais cor. É quando o mundo está cinzento, que um abraço que acolhe lhe dá mais cor. É quando o mundo está cinzento, que uma mão que se dá lhe dá mais cor. É quando o mundo está cinzento, que um sorriso do coração lhe dá mais cor. É quando o mundo está cinzento, que um olhar do fundo da alma lhe dá mais cor. É quando o mundo está cinzento, que uma presença que conforta lhe dá mais cor. É quando o mundo está cinzento, que alguém que faz sorrir lhe dá mais cor. É quando o mundo está cinzento, que um gesto de amor lhe dá mais cor.

O mundo não é cor-de-rosa. Eu sei.

Mas eu também sei que é quando o mundo está cinzento, que faz tanta falta ver o lado bonito. E que é quando o lado bonito já não se vê, que faz tanta falta nós tentarmos sê-lo. Fazê-lo existir. Ser esse lado bonito. Ser esse gesto de amor. E dar mais cor ao mundo. Todos os dias.

(Afinal, não é para isso que cá andamos?)

E talvez, um dia, continuar a acreditar possa voltar a ser sinónimo de força, de milagres a acontecer. De verdade. E de mais cores bonitas tatuadas pelo mundo.

Sobre o que ainda nos abraça.

Sobre o que ainda nos abraça.

Sobre o que ainda é bonito, no meio dos dias cinzentos.

Sobre o que ainda é luz, no meio da escuridão.

Sobre o que ainda é milagre, no meio do caos.

Sobre o que ainda nos faz acreditar, no meio da vida a trocar-nos os planos.

Sobre o que ainda é sorriso, no meio de tanto frio.

Sobre o que ainda nos abriga, no meio dos medos.

Sobre o que ainda nos ampara, no meio dos tempos duros.

Sobre o que ainda nos serena, no meio das tempestades.

Sobre o que ainda nos cura, no meio das dores.

Sobre o que ainda é amor, no meio do mundo do avesso.

Sobre o que ainda nos salva, no meio de tudo.

Sobre o que ainda nos abraça.

Abraçemo-lo bem. Muito. Todos os dias. E deixemos que nos abrace bem. Muito. Todos os dias também.

Que nunca nos falte.

E que o sejamos sempre, também.