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menina dos abraços

um abraço: a melhor forma do amor.

menina dos abraços

um abraço: a melhor forma do amor.

O amor existe.

Há quem me abraça sempre a alma e se deixa ficar. E o amor existe. Há quem me dá sempre a mão e se faz sempre perto. E o amor existe. Há quem me sorri sempre com o coração. E o amor existe. Há quem me olha sempre tão de verdade, como quem olha por dentro. E o amor existe. Há quem me beija sempre com a ternura mais mágica. E o amor existe. Há quem me abriga sempre em colo seguro. E o amor existe. Há quem me faz sempre rir de mais uma forma que eu ainda não conhecia. E o amor existe. Há quem me pede sempre para eu ficar mais um bocadinho e mais uma e outra vez. E o amor existe. Há quem me sente sempre e me vê da forma mais bonita: de verdade. E o amor existe. Há quem me ama sempre e se faz sempre morada. E o amor existe. Há quem me faz ser sempre mais lugar de amor. Mais lugar de tudo. De tudo o que importa. E o amor existe.

O amor existe. Acontece-nos todos os dias. Assim. Nas nossas pessoas. Nos gestos que mudam tudo. Por aí. Quase despercebido… Mas tão perto. Tão à vista.

O amor existe. Acontece-nos todos os dias. E salva-nos de todos os dias.

Abraços no dia.

Sexta-feira. Traz o sabor da chegada do fim-de-semana, mas traz também o cansaço absorvido de uma semana que passou. A manhã chega com o brilho quente do sol, mas chega também com um toquezinho de peso na alma. Há dias assim.

E depois, a meio do trabalho, um telefonema. Despeço-me, como sempre e, do lado de lá, aquela voz a interromper-me. "Antes de ir, deixe-me só dizer-lhe muito obrigada, menina. Deve falar com tanta gente, mas do lado de cá também podemos deixar uma palavrinha. Desejo-lhe tudo de bom e uma boa Páscoa para a menina e as suas pessoas."

Parou tudo, por instantes, e ecoam aquelas palavras. Agradecer. "Para a menina" e... "as suas pessoas". Como quem me adivinha, mesmo sem me conhecer. Como quem sabe que é assim que eu lhes chamo... A quem me é, da alma e do coração, sempre e para sempre. Como quem sabe que há dias que pedem abraços.

Parou tudo, por instantes, e inspiro e agradeço. Agradeço sempre. Porque pode haver sempre quem tenta pesar-nos na alma. Mas também há sempre quem nos abraça o dia, a vida, o coração. E, no final, são esses abraços que nos libertam de todos os pesos do mundo. Venham eles de onde vierem.

O que fica.

Aquele abraço. Onde te envolves na sua alma. Onde te aconchegas no seu coração. Onde te embalas no seu respirar. Como se o teu lugar, o teu lugar mais casa do mundo inteiro, fosse um abraço. No final, o que fica são os abraços onde moraste para sempre.

Aquele entrelaçar de mãos. De mãos que se chamam. Que se abraçam. Que se dão. Que se dão como quem dá o coração. Como se o teu lugar, o teu lugar mais abraço do mundo inteiro, fosse um entrelaçar de mãos. No final, o que fica são as mãos que abraçaste para sempre.

Aquele olhar. Que te olha por dentro. Que te percorre a alma e te vê o coração. Onde te perdes. E onde te encontras. Como se o teu lugar, o teu lugar mais amor do mundo inteiro, fosse um olhar. No final, o que fica são os olhos que amaste para sempre.

Aquele sorriso. Que te convida a sorrir. Que te toca. Que te muda o dia, a vida, o coração. Como se o teu lugar, o teu lugar mais salvo do mundo inteiro, fosse um sorriso. No final, o que fica são os sorrisos que te salvaram para sempre.

Aquele beijo. Que sabe a doçura. Que serena tudo. Que tem magia. Como se o teu lugar, o teu lugar mais cura do mundo inteiro, fosse um beijo. No final, o que fica são os beijos que te curaram para sempre.

Aquelas pessoas. Que são o abraço. Que são o entrelaçar de mãos. Que são o olhar. Que são o sorriso. Que são o beijo. Como se o teu lugar, o teu lugar mais teu do mundo inteiro, fossem as tuas pessoas. No final, o que fica são as pessoas que te são para sempre.

O amor. Sempre o amor. Como se o teu lugar, o teu único lugar do mundo inteiro, fosse o amor. E é. No final, tudo passa e o que fica é o amor. Só. E tanto.

Deixar-me encontrar.

Metro de Lisboa. Sento-me e, enquanto espero, olho e observo à volta, como sempre.

Ela chega, de passos pequeninos e cansados. Talvez perto dos 80 anos. Olha-me e aproxima-se de mim, meio confusa, mas já a sorrir-me. Pergunta-me se está no sentido certo. 

- É que sabe, menina, lá fora, na rua, é mais fácil. Aqui dentro é confuso. Há muitas linhas e muitas pessoas cheias de pressa.

Sorrio-lhe.

- Sim, está no sentido certo. Pode entrar comigo e sai já na estação seguinte.

Espera junto de mim, em silêncio. Mas continua com o sorriso de ternura que me abraça e me serena de toda a pressa que nos rodeia. O metro chega. Levanta-se, olha-me de novo a sorrir-me e chega-se mais a mim.

- A menina dá-me a mãozinha para eu entrar consigo? É que sabe, menina, as pernas já não me obedecem como antes.

Sorrio-lhe. Dou-lhe a mão e caminhamos as duas em direcção ao metro. Enquanto caminhamos, aperta-me tanto a mão. Tanto. Treme, mas aperta-a forte. Como se toda a segurança que ela precisa para aqueles passos pequeninos e cansados estivesse ali, na mão que aperta tanto. São passos pequeninos e cansados, mas eu não tenho pressa. Deixei de sentir toda a pressa que nos rodeia.

Entramos no metro. Sugiro que se sente. Não quer. O tempo de viagem é curto e é-lhe mais difícil sentar-se e ter de se levantar depois.

- É que sabe, menina, as pernas já não me obedecem como antes.

Não me larga a mão. Faz aqueles minutos de viagem junto de mim, a apertar-me a mão. Sempre sem a largar. E, enquanto a sua mão aperta a minha, eu sinto que está tudo certo.

Chegamos ao seu destino. Olha-me de novo a sorrir-me e ainda a apertar-me a mão.

- Obrigada, menina. Deus a abençoe. Que tenha sempre muito amor toda a vida.

Haverá coisa melhor para se desejar a alguém?

Sorrio-lhe. Enquanto ela sai, devagarinho, aperto-lhe, em resposta, a mão que treme e que ainda aperta tanto a minha. Olha-me de novo a sorrir-me e larga-me a mão apenas quando já está do outro lado.

- Obrigada eu. – Digo-lhe.

Segue o seu caminho de passos pequeninos e cansados. E eu sigo o meu caminho e sinto que foram aqueles passos pequeninos e cansados, aquele sorriso de ternura e aquela mão, que apertou tanto a minha, que me trouxeram o amor hoje.

Eu sigo o meu caminho e sei... Hoje vi Deus. Ele sorriu-me… e eu dei-lhe a mão.

Parar. E ficar.

Serenar toda a correria do mundo, dos dias, da vida, do coração, da alma. Calar todo o ruído, por fora e por dentro. E parar. Permitir-te parar. Para respirar. Para (re)pousar. Para reparar. Para sentir. E ficar. Deixar-te ficar.

Parar e ficar naquele abraço que é casa. Parar e ficar naquelas mãos que seguram tudo. Parar e ficar naquele olhar de alma. Parar e ficar naquele sorriso que arrebata. Parar e ficar naquele beijo de magia. Parar e ficar naquele colo que cuida. Parar e ficar naquele amor que chama. Parar e ficar no que importa de verdade.

Parar. E ficar. Porque a verdade é esta: é naqueles instantes em que te permites parar e te deixas ficar, que descobres tudo o que importa. Que vives de verdade. E não há correria nenhuma que compense o amor a acontecer.

Acreditar.

Acreditar. Acreditar em tatuar o mundo com amor.

Acreditar que um abraço é tudo. Acreditar que as mãos dadas são força. Acreditar que um olhar toca. Acreditar que um sorriso dá vida. Acreditar que um beijo cura. Acreditar que um colo abriga. Acreditar que um coração é casa. Acreditar que o amor salva. Que o amor muda tudo.

Acreditar. Acreditar, mesmo quando te fazem sentir que acreditar é sinónimo de fragilidade, de ilusão. Acreditar que o amor é força, é milagre. Acreditar, mesmo quando duvidas. Acreditar que há sempre um pedacinho de amor que chega para te iluminar. Para te despertar. Para te fazer acreditar.

E acreditar. Acreditar em tatuar o mundo com amor. Acreditar que é sempre sobre o amor. Acreditar muito, com muita força. Acreditar... E ser.

Sempre o amor.

Quando não tens força, quando não consegues, que uma mão te conforte, em forma de refúgio. Quando sufocas, quando te cansas demais, que um sorriso te resgate, em forma de fé. Quando cais, quando o chão falha, que um colo te segure, em forma de abraço. Quando dói, quando não suportas, que um beijo te cure, em forma de milagre. Quando tens medo, quando queres fugir, que um abraço te abrigue, em forma de casa. Quando te perdes, quando não sabes nada, que um olhar te (re)encontre, em forma de alma. Quando estremeces, quando não tens paz, que alguém te sossegue, em forma de amor. No desamor, quando não vês nada de amor, que o amor te salve, em forma de sempre.

Quando tudo, e até quando nada, que seja o amor. Que seja sempre o amor que te salva. Porque é, sabes? Só. E tanto.

Aquela magia.

Aquela magia que se esconde por dentro de um abraço. Aquela magia que se esconde por dentro daquele espaço que chama quando os braços se abrem. Quando os braços se abrem para um abraço que nunca é só dos braços. Que nem sequer é só dos corpos. Aquela magia que se esconde por dentro de um abraço que percorre a alma, que abraça o coração. Sem tempo. Sem distância.

Aquela magia.

Aquela magia que se esconde por dentro daquele achegar-se. Aquela magia que se esconde por dentro daquele envolver-se. Aquela magia que se esconde por dentro daquele enlaçar-se. Por dentro daquele entrelaçar-se. Aquela magia que se esconde por dentro daquele encaixar-se. Aquela magia que se esconde por dentro daquele aconchegar-se. Aquela magia que se esconde por dentro daquele abrigar-se. Aquela magia que se esconde por dentro daquele guardar-se. Aquela magia que se esconde por dentro daquele segurar-se. Aquela magia que se esconde por dentro daquele apertar-se. Aquela magia que se esconde por dentro daquele sentir-se. Aquela magia que se esconde por dentro daquele ficar-se. Aquela magia que se esconde por dentro daquele amar(rar)-se. Aquela magia que se esconde por dentro daquele abraçar-se.

Aquela magia que se esconde por dentro de um abraço. Aquela magia. Sabes? É a forma do amor.

Sabes?

Um abraço que te envolve como quem te guarda.

Uma mão que te abraça como quem te segura.

Um olhar que te olha fundo como quem te descobre.

Um sorriso que te cativa como quem te sente.

Um beijo que te toca como quem te cura.

Um colo que te abriga como quem te cuida.

Alguém que te é como quem te ama.

O amor. Sabes?