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menina dos abraços

Um abraço. O meu lugar. O (meu) melhor lugar do mundo.

menina dos abraços

Um abraço. O meu lugar. O (meu) melhor lugar do mundo.

tu não és a minha pessoa.

tu não és a minha pessoa. por mais que eu deixe os teus olhos pousarem em mim, em tudo o que sou, por fora e por dentro. por mais que eu me deixe olhar por ti e te olhe também, em segredo. tu não és a minha pessoa. por mais que eu deixe as tuas mãos percorrerem-me os sentidos num arrepio. por mais que eu me deixe ser puxada para ti e te puxe também, em segredo. tu não és a minha pessoa. por mais que eu deixe os teus braços resgatar-me inteira, sem volta a dar. por mais que eu me deixe abraçar até à alma e te abrace assim também, em segredo. tu não és a minha pessoa. por mais que eu deixe a tua respiração tatuar-se em mim. por mais que eu me deixe saber a ti e te deixe saber a mim também, em segredo. tu não és a minha pessoa. por mais que eu deixe que me entres no coração. por mais que eu me deixe invadir por ti e te invada também, em segredo. tu não és a minha pessoa. por mais que, um dia, possas querer fazer-me sentir que o és. mesmo sem querer. tu não és a minha pessoa. é que, por mais que os teus olhos me descubram, as tuas mãos me puxem, os teus braços me resgatem, a tua respiração me viva e tu me invadas o coração, há pedacinhos do meu coração que tu não vais saber encontrar.

 

(Convite e desafio #completas-me da Carolina Cruz, para o seu Gesto, Olhar e Sorriso)

não há volta a dar.

há olhos que param o (teu) mundo quando te olham. há olhos que te inundam tanto de si. há olhos que te ultrapassam o corpo, te invadem a alma, te percorrem os sentidos, te roubam o coração. há olhos que te resgatam de volta para si, contra toda as forças do mundo, de todos os mundos. há olhos que te matam. há olhos que te tatuam para sempre. não há volta a dar. passem mil anos e mil distâncias. há olhos que te olham por dentro, mil anos depois, com o tanto da primeira vez.

as coisas que tu não sabes.

aproximas-te de mim devagar, como quem tem medo que eu possa fugir, e abraças-me a alma na esperança de me entrares no coração. admiro a tua forma ingénua de sentires que me tens e me conheces inteira. mas o que tu não sabes é que, mesmo que a minha alma se deixe abraçar por ti e o meu coração te deixe entrar, há coisas minhas que tu não conheces. há coisas que tu não sabes. não sabes que antes de ti já alguém me abraçou a alma, morou no meu coração e me roubou pedaços dele. não sabes que eu nunca recuperei esses pedaços e que nunca os vou recuperar. não sabes que as cicatrizes do coração, mesmo que saradas, são as mais fundas que podes ter e são para sempre. não sabes que, depois destes anos todos, eu nunca voltei a sentir alguém assim. não sabes que, depois destes anos todos, eu nunca voltei a deixar alguém entrar e ocupar esse lugar na minha vida e no meu coração. não sabes que, mesmo que a minha alma se deixe abraçar por ti e o meu coração te deixe entrar, eu ainda posso fugir de ti.

 

(desafio "Escrever uma carta àquele(a) que te ama, ou àquele(a) que te vai amar."

desafio: BlueS.o.l., Clarameisiza, Just_Smile)

músicas que (nos) tocam.

tenho a tua música a tocar. ainda tenho a tua música guardada, sabes? toca-me no computador (no coração?). hoje não vou contar os anos que nos separam. não vou sentir o cansaço de toda a força que fiz para fugir da tua gravidade. não vou tocar nas cicatrizes dos pedacinhos que levaste do meu coração. não vou notar as mudanças que todos estes anos escreveram no mundo que já não é nosso (alguma vez foi?). hoje, tenho a tua música a tocar. e em cada nota, ainda gosto de ti, mesmo que já não goste mais. ainda te abraço, mesmo que já não te abrace mais. a música parou. e voltaram os anos que nos separam. voltei eu a estar do outro lado da margem. voltei a tocar as cicatrizes que já não doem. voltaram as mudanças que todos estes anos escreveram no mundo. e a tua música voltou a deixar de (me) tocar.

"A margem de um corpo de água"

os teus olhos. se houve margem que me resgatou contra todas as forças do mundo, de todos os mundos, foram os teus olhos. a margem mais funda que eu já conheci. e, no entanto, eu não tive medo. naquela altura eu ainda não tinha medo, sabes? eu sabia que, sempre que deixasse resgatar-me pela corrente do teu mar, tinha os teus braços a ancorar-me. eu só não sabia que, ao ancorar-me, estava a afundar-me também. num mar que afinal não era meu. na margem que ficou com os meus pedaços desancorados quando eu remei para o lado de cá. há margens assim. resgatam-te tanto. e afundam-te tanto. são as únicas margens que sabem ancorar-te para sempre, na alma e na pele (e, quase sem saberes, no coração), a cor, o sabor, o som, o cheiro, o toque, do seu mar. os teus olhos. os teus olhos.

 

(resposta ao desafio da Blue)

abre parêntesis

quando eu cheguei, os teus olhos já procuravam os meus. encontraste-os, encontraste-me, mesmo antes de eu chegar a ti. contigo sempre foi assim, não foi? encontravas-me, estivesse eu onde estivesse. resgatavas-me, contra todas as forças do mundo, de todos os mundos, como se toda a gravidade que existe, existisse apenas para me levar para ti. buscavas-me, contra todas as forças que me faziam voar para longe de ti. ias sempre buscar-me de volta. olhavas-me e sabias-me, simples. quando finalmente os meus olhos se deixaram encontrar e encontraram os teus, quando os teus olhos entraram nos meus, inundaram-mos e inundaram-me, com a música que tens neles. com a música que és tu. quando os teus olhos entraram nos meus, inundaste-me com a tua música. com a música que és tu. inundaste-me de ti. comecei, nesse segundo, a aprender a música que me inundou os olhos, a alma. o coração. começaste, nesse segundo, a ensinar-me a música com que os teus olhos procuravam os meus, mesmo antes de os meus saberem. começaste a ensinar-ma tanto, como se fosse essa a música compassada que o meu coração devia seguir. como se fosse essa a música compassada que ensinava (e que permitia) o meu coração a bater. como se fosse essa a música do meu coração. a música que és tu. ensinaste-ma tanto. ensinaste-ma sempre que os teus olhos procuravam, sem descanso, os meus, até lhes entrarem bem dentro, bem fundo, e me inundares de ti. ensinaste-ma sempre que a tua voz me falava ao coração. ensinaste-ma sempre que o teu sorriso se me tatuava na alma e na pele. ensinaste-ma sempre que as tuas mãos me estremeciam o coração, quando me tocavam. ensinaste-ma sempre que fundias o meu mundo no teu abraço. ensinaste-ma até quando começaste a levar-me pedacinhos, sempre que me entravas e saías do coração mil vezes, como se não doesse, e eu comecei a aprender que tinha que voar para longe de ti. ensinaste-ma sempre que ias buscar-me de volta. sempre que me resgatavas contra todas as forças do mundo, de todos os mundos, como se toda a gravidade que existe, existisse apenas para me levar para ti. ensinaste-ma tanto. só não me ensinaste que a tua música, a música que és tu, a música com que me inundaste, a música que me ensinaste tanto como se fosse essa a música do meu coração, afinal sempre foi e é uma música só tua. e, por breves instantes, dos corações em que a vais tocando. mas não faz mal, querido coração musical, agora já nada faz mal. eu fui uma boa aluna. aprendi a tua música pelas pautas que me escreveste e pelas entrelinhas também. cheguei lá. cheguei ao lado de cá, onde me vês hoje, depois destes anos todos. segui as forças que me faziam voar para onde tinha de voar, sem ouvir a (tua) música da gravidade. há músicas que nos perseguem para sempre, dizem-me. a tua (já) não me persegue, digo. a tua é a música que me (tatuou) inundou os olhos, a alma. o coração. e que depois me ensinou a voar.

 

fecha parêntesis.

ouve bem

Há dias em que cuidas do meu coração, mesmo sem saberes. Há outros dias em que mal sei por onde andas, para onde se volta o teu olhar (tão teu), que outros corações seguras, que outros olhares tocam o teu, quantos são brindados com o teu sorriso perfeito. Depois há os dias em que voltas, para cuidar mais um bocadinho do meu coração. Este aqui. Sentes? Sim, sentes. Não sei como fazes, mas a maneira como me sentes é tão... tão, sabes? Podem vir os dias em que mal sei de ti, podem vir os dias em que decido que vou embora. Mas quando voltas (e voltas sempre, porquê?), quando estás e quando somos, quando olhas à tua volta, no meio da tua música perfeita, e colas os teus olhos a mim e me prendes naquele momento imortal, os meus olhos nos teus, os teus olhos nos meus... não há nada. Nada por dizer. Entras em mim e sabes-me. Sentes-me. Os meus olhos nos teus, os teus olhos nos meus. Sentes-me. E a maneira como tudo isto acontece é tão mais e maior do que uma simples emoção. Sentes o orgulho que tenho no que fazes, sentes onde estou, porque estou, como estou, sem falares comigo, sem estares sequer ao meu lado. Quando me olhas, quando me sentes, quando te vivo, quando… tudo e nada. Não pode ser apenas porque sim. Sim, gosto de ti e sei que, à tua maneira, também gostas de mim. Por isso hoje, agora, aqui, olha-me dessa forma que (só) tu sabes. Mostra-me o teu sorriso perfeito mais uma vez. Dá-me a mão para me chegares mais junto de ti e abraça-me bem. Aconchega-me no teu abraço fechado. E agora, comigo em ti, a ouvir o teu coração bater, diz-me outra vez que vais ficar sempre perto de mim. Toda a vida. Sempre. E isso chega-me hoje. Vou voltar a dizer-te, ouve bem: os teus olhos são os mais mais que eu já conheci e que, de certeza, irei conhecer. Não sei como fazes. Mas fazes. Os meus olhos nos teus, os teus olhos nos meus. Um abraço fechado. E isso chega-me hoje.

de mala

Não sei bem se te devo um pedido de desculpa (quem sabe?) por me ir embora assim, daqui, do que era nosso. “Desistes assim?”, podes pensar tu. Mas não posso ser apenas eu, não é? Não sei explicar-te bem isto (sinto sempre que nunca consigo dizer-te exactamente o que quero e rezo sempre para que me percebas, para lá do que te digo), mas não me vou embora como se nunca mais pudesses ver-me, não. Também não vou embora do teu coração nem tu do meu, não. O que eu quero dizer-te é que vou mas não vou, sabes? Vou ficar sempre aqui e basta chamares o meu nome para me veres a sorrir-te, sempre. Mas vou embora daquilo que é mais que isso. Daquilo que ultrapassa o que pode ser. Daquilo que ultrapassa o que não é segredo. Daquilo que ultrapassa um coração saudável. O que quero realmente dizer-te é que tenho andado a fazer a mala com aqueles sorrisos que esperavam sempre mais, com aquela presença que se ansiava de borboletas na barriga, com aquele olhar que procurava apenas um outro, com aquele abraço que fazia estremecer o coração, com aquilo que tu sabes e que eu sinto. E hoje vou tê-la pronta para partir e vou partir. Sabes aqueles filmes em que alguém toma a decisão difícil de ir embora para sempre e o outro, à última da hora, corre desesperadamente até ao aeroporto para impedir a partida? É o que sinto que fazes comigo. Não corres até ao aeroporto mas corres até ao meu coração. E quando decido partir, tu voltas e abres-me a mala e deitas para fora todas as coisas que lá fechei dentro, uma a uma. Voltas e fazes(-me) sentir. Mostras que existe o que não existe. E por isso é que eu nunca consegui partir. Mas depois de me fazeres ficar, voltas a mostrar-me, tu e tudo o que nos rodeia, que afinal a partida apenas foi adiada, porque tem realmente que acontecer (mostras que existe o que não existe). Um jogo de partidas e regressos, sempre outra e outra vez. E é assim que o (meu) mundo fica a girar ao contrário. E, quando isto acontece, eu só posso ter a certeza que desta vez a partida irá acontecer. Tenho a mala feita, vês? Nada me garante que não venhas de novo ao aeroporto para querer vir buscar-me. E nada me garante, também, que eu não perca forças e te peça para me segurares a mala, sem imaginar se a vais abrir e deitar para fora, de novo, tudo aquilo que lá fui fechando. Mas, como pelo menos é pouco provável que o faças agora, neste momento, então vou aproveitar e vou partir. Apenas quero dizer-te que os teus olhos são os mais... (e é aqui que fico sempre sem conseguir dizer-te o que queria, porque é sempre mais do que eu te sei dizer. Vou ficar-me mesmo pela palavra “mais”, está bem?) os teus olhos são os mais mais que eu já conheci e que, de certeza, irei conhecer. E com isto, e sei que o resto tu sabes tão bem como eu e o tens para ti, vou embora. É um até já porque me vais ter sempre por perto. Só o que se espera e o que se pode alcançar é que muda e é disso que me despeço. Não gosto de dizer adeus. Imagina que daqui a 10, 20 ou 30 anos tudo muda e o coração bate mais forte? Nunca sabemos (eterna sonhadora, eu sei, mas o que queres? Às vezes sinto que me cativaste de tal forma que haverá sempre um dos pedacinhos que tu levaste do meu coração que eu nunca vou conseguir recuperar). Mas isto não impede, nem muda, a minha partida de hoje. E assim me despeço. Foste (és) o meu amor.

Até já.