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menina dos abraços

Um abraço. O meu lugar. O (meu) melhor lugar do mundo.

menina dos abraços

Um abraço. O meu lugar. O (meu) melhor lugar do mundo.

de mala

Não sei bem se te devo um pedido de desculpa (quem sabe?) por me ir embora assim, daqui, do que era nosso. “Desistes assim?”, podes pensar tu. Mas não posso ser apenas eu, não é? Não sei explicar-te bem isto (sinto sempre que nunca consigo dizer-te exactamente o que quero e rezo sempre para que me percebas, para lá do que te digo), mas não me vou embora como se nunca mais pudesses ver-me, não. Também não vou embora do teu coração nem tu do meu, não. O que eu quero dizer-te é que vou mas não vou, sabes? Vou ficar sempre aqui e basta chamares o meu nome para me veres a sorrir-te, sempre. Mas vou embora daquilo que é mais que isso. Daquilo que ultrapassa o que pode ser. Daquilo que ultrapassa o que não é segredo. Daquilo que ultrapassa um coração saudável. O que quero realmente dizer-te é que tenho andado a fazer a mala com aqueles sorrisos que esperavam sempre mais, com aquela presença que se ansiava de borboletas na barriga, com aquele olhar que procurava apenas um outro, com aquele abraço que fazia estremecer o coração, com aquilo que tu sabes e que eu sinto. E hoje vou tê-la pronta para partir e vou partir. Sabes aqueles filmes em que alguém toma a decisão difícil de ir embora para sempre e o outro, à última da hora, corre desesperadamente até ao aeroporto para impedir a partida? É o que sinto que fazes comigo. Não corres até ao aeroporto mas corres até ao meu coração. E quando decido partir, tu voltas e abres-me a mala e deitas para fora todas as coisas que lá fechei dentro, uma a uma. Voltas e fazes(-me) sentir. Mostras que existe o que não existe. E por isso é que eu nunca consegui partir. Mas depois de me fazeres ficar, voltas a mostrar-me, tu e tudo o que nos rodeia, que afinal a partida apenas foi adiada, porque tem realmente que acontecer (mostras que existe o que não existe). Um jogo de partidas e regressos, sempre outra e outra vez. E é assim que o (meu) mundo fica a girar ao contrário. E, quando isto acontece, eu só posso ter a certeza que desta vez a partida irá acontecer. Tenho a mala feita, vês? Nada me garante que não venhas de novo ao aeroporto para querer vir buscar-me. E nada me garante, também, que eu não perca forças e te peça para me segurares a mala, sem imaginar se a vais abrir e deitar para fora, de novo, tudo aquilo que lá fui fechando. Mas, como pelo menos é pouco provável que o faças agora, neste momento, então vou aproveitar e vou partir. Apenas quero dizer-te que os teus olhos são os mais... (e é aqui que fico sempre sem conseguir dizer-te o que queria, porque é sempre mais do que eu te sei dizer. Vou ficar-me mesmo pela palavra “mais”, está bem?) os teus olhos são os mais mais que eu já conheci e que, de certeza, irei conhecer. E com isto, e sei que o resto tu sabes tão bem como eu e o tens para ti, vou embora. É um até já porque me vais ter sempre por perto. Só o que se espera e o que se pode alcançar é que muda e é disso que me despeço. Não gosto de dizer adeus. Imagina que daqui a 10, 20 ou 30 anos tudo muda e o coração bate mais forte? Nunca sabemos (eterna sonhadora, eu sei, mas o que queres? Às vezes sinto que me cativaste de tal forma que haverá sempre um dos pedacinhos que tu levaste do meu coração que eu nunca vou conseguir recuperar). Mas isto não impede, nem muda, a minha partida de hoje. E assim me despeço. Foste (és) o meu amor.

Até já.

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