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menina dos abraços

Um abraço. O meu lugar. O (meu) melhor lugar do mundo.

menina dos abraços

Um abraço. O meu lugar. O (meu) melhor lugar do mundo.

não tenhas medo, a vida só quer que tu sejas feliz

Faço a minha viagem de autocarro, o lugar ao meu lado está vazio. Até agora. Ela entra no autocarro, apressada. Provavelmente uns anos mais velha do que eu, mas não muitos. Olho-lhe para os olhos verdes, mas vermelhos das lágrimas que já caíram, das que ainda estão à vista e das que ainda estão por cair, a qualquer momento. Procura um lugar para se sentar, apressada. Quando, provavelmente, a única coisa que procura é um lugar que a abrace. Que a abrigue. Onde não tenha que estar no meio destas pessoas todas. Onde não tenha outros olhos a olhar-lhe para os olhos verdes, mas vermelhos das lágrimas que já caíram, das que ainda estão à vista e das que ainda estão por cair, a qualquer momento. Onde não tenha que procurar um lugar para se sentar, apressada. Senta-se ao meu lado. Respira fundo. Respira tão forte. Eu pego no meu bloco de post-it’s e na minha caneta. Está quase a chegar a minha paragem. Os lugares do outro lado do corredor ficam vazios e ela levanta-se e vai para lá, prefere ficar sozinha. Senta-se e baixa a cabeça, apoia-a nas mãos, no colo. Continua a respirar tão forte. Chega a minha paragem. Levanto-me, fico ao lado dela por instantes. Hesito, mas prefiro arriscar. Toco-lhe no braço, ela olha-me. Sorrio-lhe e dou-lhe o post-it. Ela recebe-o. Não dizemos nada. Eu vou até à porta. "Não tenhas medo, a vida só quer que tu sejas feliz", diz-lhe o post-it, com um sorriso e com letra apressada. No instante em que saio, olho para ela. Ela já está a olhar-me. Sorrio-lhe, ela sorri-me. Não dizemos nada. Nem precisamos dizer. Eu saio. Um pedacinho do meu coração está naquele post-it. O resto vem comigo, mais cheio.

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