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menina dos abraços

Um abraço. O meu lugar. O (meu) melhor lugar do mundo.

menina dos abraços

Um abraço. O meu lugar. O (meu) melhor lugar do mundo.

e assim, como não hei-de sorrir todos os dias?

aqueles olhos muito abertos, gigantes e imensos de amor, olham-me como sempre. como desde que me lembro. as mãos já estão a segurar-me bem forte e a puxar-me para si, enquanto me dá um beijinho. - amor tão grande por ti. - segreda-me ao ouvido, em palavras quase sumidas, com aquela voz imensa de ternura de 87 anos, enquanto continua a segurar-me forte e a puxar-me para si, para que eu o oiça bem. - e tu também por mim. coração tão bom. sabes que a gente quando chega a esta idade precisa mais de amor. enche-me e abraça-me (tanto) o coração. e isto chega-me, para fazer do meu dia (e do meu coração) um sorriso.

que dure todos os mil segundos que cabem na eternidade.

Diz-se que foi algures esta noite. Tão longe, tão alto. Um cometa e uma estrela cadente que se cruzaram. Num segundo, em mil segundos, cruzaram-se. E num segundo, em mil segundos, num olhar, amaram-se. Há olhos, há momentos, que nos roubam o coração para sempre. Num segundo, em mil segundos, num olhar, amaram-se. E num segundo, em mil segundos, num olhar, perderam o coração para sempre. É sempre assim com estes corpos celestes. Passam num fugaz relance da eternidade e, num instante, desaparecem. Num segundo, em mil segundos, cruzaram-se. E num segundo, em mil segundos, desapareceram um do outro. Deixaram tatuada a maior cicatriz que pode tatuar-se. A cicatriz de um coração roubado. A cicatriz de um coração longe de casa acorda tempestades. Está aqui, está lá fora, a tempestade gigante de chuva e de vento que me bate forte na janela, que grita bem forte, num sopro suplicante ao cometa e à estrela cadente, que encontrem os seus corações roubados de volta. Que encontrem o seu caminho de volta a casa. Que encontrem o caminho de volta um ao outro. Que voltem a amar-se, num segundo, em mil segundos, que dure todos os mil segundos que cabem na eternidade.

Façam-lhe a vontade, queridos cometa e estrela cadente. Oiçam a tempestade, oiçam o quanto ela vos grita. Oiçam-na, que ela bate-me forte na janela e não me deixa dormir. Tal e qual menina pequenina que se abriga e se esconde da confusão que mora lá fora. Oiçam-na, façam-lhe a vontade, para ela deixar de gritar, para ela sossegar e adormecer. Oiçam-na, sim? Voltem a amar-se, num segundo, em mil segundos, que dure todos os mil segundos que cabem na eternidade. E boa noite, de sonhos bonitos e de corações abraçados.