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menina dos abraços

Um abraço. O meu lugar. O (meu) melhor lugar do mundo.

menina dos abraços

Um abraço. O meu lugar. O (meu) melhor lugar do mundo.

O até já

Disseram-me que escrever-te poderia ajudar-me a deixar-te partir. Tu já partiste. Fizeram-te as malas e tiveste que ir. Mas ajudar-me a aceitá-lo. A deixar-te ir, como deve ser. Como tem que ser. Talvez ajude. Mas, sabes, não sei o que escrever-te...

Para isso, para que o que estou aqui a fazer fique bem feito e completo, teria que ficar perfeito. Dizer tudo o que há para dizer, e que eu nem sei bem. Tudo. Para que não ficasse mais nada para dizer. Para fazer. Para seguires o teu caminho. Em paz. Livre, sem amarras. Para que eu siga o meu. Mas isso é tão difícil, sabes? Tão complexo. E eu sou tão pequenina.

Depois há outra coisa, também não sei o que fazer com estas palavras quando chegar ao fim. Que são (só) para ti. São tuas. Se calhar nem preciso fazer nada e estás a ler-me agora mesmo, enquanto te escrevo. Talvez. Ser-te-ão entregues?

É tudo tão estranho, sabes? É isso, estranho. Como é que já não estás aqui? E eu não soube ser-te o tanto que costumo ser às minhas pessoas. Enquanto estavas aqui, bem junto de mim. Não soube sempre. Desculpa.

(...)

Já nem sei como é que nos aproximámos, mas depois, durante algum tempo, tornou-se impossível foi separar-nos. Impossíveis… não os há, pois não?

(...)

Foste-me muito, nos tempos em que aprendemos o que é o essencial. O que é o amor. E são estes. São estes os momentos que quero que tenhas em ti, agora. Que quero que guardes. Que preciso que guardes. E assim, sempre que olhares para mim dessa nova casa onde moras agora, será assim que me vês. Que nos vês. E eu sorrirei para ti. E acredito que contigo. Descansada. Sim, também quero que descanses. Em paz. Não te preocupes, agora está tudo bem. As lágrimas que vês ainda, de vez em quando, naqueles que gostam de ti, é apenas porque deste lado as coisas custam sempre um bocadinho mais. Sabes, as pessoas aqui são mais pequeninas. Por isso não te preocupes e, por favor, descansa em paz. Consegues ouvir-me? Descansa, querida. Em paz.

Outra coisa, e esta é a que mais me conforta, a que mais me orgulha dizer-te. Antes de ires embora vieste despedir-te de mim. Com um abraço tão... forte, tão fundo. Que seja entre sonhos, mas vieste. Vieste mesmo, não vieste? Eu senti(-te). Vieste despedir-te de mim. De mim. Eu é que não percebi que era a despedida. Mas vieste. Com um abraço daqueles. Logo a mim, que sou a menina dos abraços, dizem. Não pode ter sido por acaso. Vieste, não foi? A mim. E isso tira-me as palavras. E conforta-me. E descansa-me. Tanto. Porque é a prova viva de que o que te peço hoje, já tu o fizeste, ainda antes de ires embora. Ficaste apenas com os nossos momentos bons. Ficaste, não ficaste? Os cheios. O essencial. E isso, só te posso agradecer. Obrigado. Obrigado por esse abraço que foi e é imortal. Ainda consigo senti-lo, sabes? Sabes. Talvez sejas tu a abraçar-me de novo.

Não sei bem se estou a conseguir cumprir o objectivo de escrever-te. Talvez esteja, porque estou a chegar ao fim do que queria e precisava dizer-te para poder deixar-te partir sem nada para dizer, livre, sem amarras, sem dúvidas. Por isso, agora é hora de desejar-te um bom descanso. Não te preocupes com nada. Nada. Está tudo bem. Descansa, minha querida. Em paz.

Não me importo que continues a vir ter comigo, de vez em quando, como tens vindo algumas noites, quando sentires que deves vir. Quando sentires que eu vou ficar melhor se vieres. Que tu vais ficar melhor. Mas não te canses demasiado, sim? É hora de descansares, agora. E eu prometo-te que vou fazer de tudo para ficar bem, também. Tenho quem tome conta de mim, não te preocupes. Podes vir quando quiseres, mas só quando sentires que deves mesmo vir. Porque agora é hora de descansares. De seguires.

Também tenho saudades tuas, também é difícil ver-te afastar cada vez mais. Mas um dia destes estarei a descansar, como tu. Junto de ti. Por isso, até já. Um dia estaremos juntas de novo. Quando o barco da vida decidir levar-me para junto de ti. Quero acreditar que vais receber-me com o mesmo abraço que me deste antes de ires embora. Com o mesmo abraço que recebo sempre que penso em ti e o vento vem, ao de leve, aconchegar-me. Mal posso esperar por esse abraço, também. Temos que ter paciência, sabes? Não desanimes. E não tenhas medo. Sabes que agora és um anjo, não sabes? Sorri, querida.

Agora é hora, tens que ir.

Sim, descansa. Em paz.

Até já.