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menina dos abraços

Um abraço. O meu lugar. O (meu) melhor lugar do mundo.

menina dos abraços

Um abraço. O meu lugar. O (meu) melhor lugar do mundo.

este mundo que nos ensinam e nos mostram todos os dias.

eu não quero viver neste mundo que nos ensinam e nos mostram todos os dias. é gigante demais, é pesado. sufoca-nos. traz-nos medo. este mundo que, dizem-nos e mostram-nos, já não é um mundo de amor. não quero, porque, por mais que me digam que é assim e que tem de ser, eu não sei viver nele. não sei viver neste mundo que teima em ensinar-me que é com números que se mede o valor seja do que for. que se esquece que o verdadeiro valor está em não caber sequer em medidas. não sei viver neste mundo que teima em ensinar-me que o amor não chega. que o amor não é tudo o que chega quando mais nada chega. que um abraço não é um agasalho, que um beijo não é um alimento, que um olhar não é uma cura, que as mãos dadas não são uma força, que um sorriso não é um sentido da vida, que um coração não é uma casa. não sei viver neste mundo que teima em ensinar-me que um mundo de amor não existe, que é apenas um conto de fadas. não sei viver neste mundo que teima em ensinar-me que, enquanto eu desafiar as suas leis para ser e viver com o coração, estarei a falhar. não sei. e sei que não vou conseguir aprender. porque, por mais que me digam que é assim e que tem de ser, e por mais que eu ganhe cicatrizes pelo caminho, no final, é sempre o (meu mundo de) amor que me cura.

hoje a minha irmã faz anos.

hoje a minha irmã faz anos. a minha irmã é a minha primeira amiga-para-sempre. é a amiga da vida que a vida escolheu para mim. é a amiga do coração que já me esperava, quando eu nasci. e, por mais voltas que o mundo dê, por mais pessoas que nos apareçam no caminho, no final, o nosso lugar é sempre juntas. no lado mais bonito que existe: o lado de dentro. a minha irmã é a pessoa de quem eu gosto todos os dias, como se fosse a primeira vez. mesmo que o mundo às vezes estremeça, há uma coisa que nunca muda e que é mais forte do que o mundo, do que a vida: vamos ser sempre uma da outra. e uma para a outra. a minha irmã é um pedacinho de mim, da minha alma e do meu coração, dentro e fora de mim, ao mesmo tempo. e é isto, aquilo a que chamam de amor. hoje a minha irmã faz anos. e o (nosso) mundo está de parabéns.

um abraço. o meu lugar.

há uns bons anos atrás, quando eu ainda não sabia bem qual era o meu lugar no mundo, houve alguém que num dia, num momento, me disse que eu era a "menina dos abraços". não sei se eu o soube de imediato, não sei se no fundo eu até já o sabia. só sei que hoje, anos depois, não há melhor lugar no mundo, para mim, do que um abraço. não há melhor lugar no mundo onde eu possa pertencer, onde eu possa ser, onde eu possa morar, onde eu possa amar, do que um abraço. um abraço que me abraça inteira. que me abraça o corpo, a alma, o coração. um abraço que me chama, que me quer, que me pede e me convida para ficar. um abraço que se faz minha casa. um abraço que se faz meu abrigo seguro. um abraço que me resgata do mundo inteiro. um abraço que me sossega o coração. um abraço que me aquece quando o mundo é frio (e quando não é, também). um abraço que me salva. um abraço que me cura. tudo, tanto. um abraço que me segura, que me funde em si, que me inunda de si. um abraço que me arrepia os sentidos, que me estremece o coração. um abraço que me aconchega no compasso do coração a bater. um abraço que me cativa o coração para sempre. um abraço que me conta os segredos mais bonitos do mundo. um abraço que não me larga. um abraço que me abraça para sempre. e, para sempre, me abraça tanto. um abraço que é (e me faz ser) tanto. um abraço que é feito de amor. um abraço. o meu lugar. o (meu) melhor lugar do mundo.

 

 

 

 

 

ps: com um abraço começou, com um abraço deixo um até já.

este espaço está a precisar de umas férias, sem data de validade.

um abraço forte, sem data de validade também.

quando o medo te assalta.

quando o medo te assalta, porque há dias em que o medo te assalta, mesmo que sejas forte, mesmo que sejas grande, mesmo que acredites, mesmo que estejas bem, mesmo que tudo e tanto mais, há sempre dias em que o medo te assalta, por isso, quando o medo te assalta: refugia-te. abriga-te. naquilo e (principalmente) naqueles que te enchem e te abraçam o coração. que te curam a alma. quando o medo te assalta: abraça. abraça alguém de quem gostas muito. abraça com força, todo o tempo que quiseres e precisares. aninha-te, como quem guarda, dentro de um abraço, o laço imortal que une dois corações. descansa, no sossego compassado do coração a bater. aconchega-te, no abrigo seguro que sabe a amor. deixa o mundo lá fora, fica dentro de um abraço onde sentes que podes morar para sempre. fica todo o tempo do mundo, até o medo ir embora. e mesmo que não vá, deixa-te ficar. e mesmo que vá, deixa-te ficar na mesma. num abraço que te abraça para sempre e, para sempre, te abraça tanto. quando o medo te assalta: há abraços, maiores que o mundo, maiores que o medo, que te mostram ao coração o mundo mais bonito de todos os mundos. mesmo, e até, de olhos fechados.

hoje o meu pai faz anos.

hoje o meu pai faz anos. fecho os olhos, calo os ruídos do mundo (lá fora e cá dentro), e digo-lhe, em silêncio, parabéns. e sei que ele ouve. sei que ele me ouve, nos ouve, sempre que dizemos e mesmo quando não dizemos. porque há coisas que as palavras não sabem dizer. e, quando se mora dentro de alguém, sabe-se. sabe-se e pronto. sei que ele está aqui, mesmo que não esteja há quase 20 anos. está na mãe que cuida de nós, pelos dois e por mil. está nos pedacinhos dele que temos herdados no corpo e na alma. está quando os milagres nos acontecem, e que de certeza têm a mão dele. está quando o medo nos assalta e pedimos tanto o seu colo também. está nas pessoas que têm no coração o seu sangue e as suas histórias que contam tanto dele. está sempre que olhamos para o céu e uma estrela brilha mais forte. está sempre que fechamos os olhos e suspiramos com a força de um abraço. hoje o meu pai faz anos. e eu fecho os olhos e digo-lhe, em silêncio, parabéns. e sei que ele ouve. porque amor é amor sempre. e, quando se ama, nem a morte consegue separar.

A vida é sobre o amor.

A vida não é, desengana-te e desengana quem te faz acreditar e sentir que é, sobre os números que vais somando e que te fazem sentir que tens que somar. A vida não é sobre as leis que vais seguindo e que te fazem sentir que tens que seguir. A vida não é sobre as teorias em que vais acreditando e em que te fazem sentir que tens que acreditar. A vida... a vida é sobre o que te enche as medidas do coração até transbordar. E, adivinha, só há uma coisa que o consegue: o amor. A vida é sobre os abraços que se fazem tua casa segura. A vida é sobre as mãos que se entrelaçam nas tuas e te estremecem o coração. A vida é sobre os olhares que te roubam e te contam os segredos mais bonitos. A vida é sobre os sorrisos que te tocam directamente no coração. A vida é sobre os beijos que te curam as dores. A vida é sobre os corações que sentes e ouves bater, e sobre os corações que sentes mesmo sem ouvir bater. A vida é sobre os sonhos que vives de olhos fechados e, ainda mais, de olhos abertos. A vida é sobre as palavras ditas com o coração e sobre os silêncios escutados com o coração. A vida é sobre as lágrimas que secas, e sobre as lágrimas que te secam, com a magia da cumplicidade. A vida é sobre os laços invisíveis, mais fortes que o tempo e a distância, que unem almas e corações. A vida é sobre as tuas pessoas, que te fazem cada vez mais delas também. A vida é sobre as dores de barriga de tanto rir. A vida é sobre as músicas que te arrepiam os sentidos. A vida é sobre as vezes em que olhas para o céu e suspiras mais fundo. A vida é sobre os momentos que se tornam imortais. A vida é sobre os corações que tatuas com a tua vida e sobre as vidas que te tatuam o coração. A vida é sobre ser-se e viver-se com o coração. Desengana-te e desengana quem te faz acreditar e sentir que não: a vida é sobre o amor.

 

(Texto publicado na Plataforma Capazes, aqui)

Tatuar Sorrisos

Para quem já viu pedacinhos do Tatuar Sorrisos por aqui e ainda não percebeu bem o que é isto:

 

Tatuar Sorrisos nasceu por eu acreditar, tanto, que (só) o amor cura e muda o mundo. Por eu acreditar, tanto, que um pedacinho de amor, mesmo o mais pequenino (e, tantas vezes, especialmente o mais pequenino), cura e muda o mundo. Nasceu, também, pela minha vontade de viver isto e pelo meu sonho de viver disto. Todos os dias. E de o mostrar às pessoas, fazendo-as senti-lo e vivê-lo também. Mudando e curando o mundo de alguém. Tatuando um sorriso no dia de alguém, na vida de alguém, no coração de alguém.

Comecei, num dia, a deixar pedacinhos de amor por onde ia passando, escritos num simples post-it. E hoje, anos depois, este bloco de post-it's escritos com o coração, ao qual dei o nome de Tatuar Sorrisos, já faz parte de todos os meus dias e de todos os lugares por onde passo. Já faz parte do que sou e da minha forma de viver. Loucura? Talvez. Nunca achei muita piada à normalidade.

20170526.jpg (Tatuar sorrisos no dia de alguém, na vida de alguém, no coração de alguém. Onde? Por onde passares. Quando? Sempre. Porquê? Porque cura, tanto.)

saudade não é só ausência. saudade é presença constante.

saudade não é só ausência. saudade é presença constante. é a presença constante de tudo aquilo que teima em lembrar-te do que te falta. são os rostos de pessoas que teimam em olhar-te, ao cruzar na rua, com pedacinhos de olhares, sorrisos, cores, cheiros e expressões de quem já não está aqui. são os buraquinhos no teu coração que teimam em não sarar. são as pessoas que teimam em tentar remendar-te esses buraquinhos ou em morar neles, como quem acredita poder voltar a habitar uma casa que não deixou de ter dono. são as músicas que teimam em falar-te do que já foi, às vezes com a força de quem te abraça, outras vezes com a força de quem te sufoca. é o teu coração que teima em pedir "só mais uma vez". é o tempo que corre sem parar e teima em fazer-te esquecer pormenores pelo caminho, fazendo-te sentir às vezes mais leve, outras vezes mais pesada. são as memórias que teimam em assaltar-te as noites e os sonhos, com um toque e um sabor agridoce. são os momentos que estão tatuados, para sempre, na tua vida, no teu coração. é tanto. é o tanto que, sendo ausência, se faz sempre (e ainda mais) presença.

as tuas pessoas.

há pessoas que te vêem por dentro. por dentro do que és, onde só chega quem sabe ver com o coração. há pessoas que te abraçam. e que te abraçam a alma e o coração. há pessoas que te abrem o seu coração, te convidam a entrar e a ficar para sempre. há pessoas que te entram no coração como quem entra em casa. há pessoas que são pedacinhos de sol, quando a tempestade teima em não passar. há pessoas que são pedacinhos de abrigo, quando o medo te assalta. há pessoas que são pedacinhos de amor a cativar-te o coração, quando o mundo teima em ensinar-te que o amor não é a sua forma mais bonita de existir. há pessoas que te mostram o que tu és, quando a vida te faz sentir que não és. há pessoas que te vêem de forma exageradamente bonita, só para te fazer sorrir mais uma e outra vez. há pessoas que te tatuam sorrisos no coração. há pessoas que, estando longe, se fazem sempre perto. o mais perto que se pode estar de alguém: do lado de dentro. há pessoas que te dão a mão como quem te dá o coração. há pessoas que te ouvem as palavras, os gestos e os silêncios. há pessoas que te sentem e pressentem. há pessoas que são sorrisos em forma de abraços e abraços em forma de sorrisos. há pessoas que são tanto. há pessoas que são pedacinhos de ti, da tua alma e do teu coração, fora do teu corpo. há pessoas, bonitas, que são tuas. há pessoas de quem tu és. tanto e sempre.